A liberdade de imprensa no mundo atingiu seu nível mais baixo em 25 anos, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). O levantamento indica uma deterioração generalizada das condições para o exercício do jornalismo em diversos países.
De acordo com a RSF, mais da metade dos 180 países e territórios analisados agora se enquadram nas categorias consideradas “difíceis” ou “muito graves” para a atuação da imprensa — um marco inédito desde a criação do índice. A pontuação média global também caiu para o menor nível já registrado.
Outro dado preocupante é a redução drástica da população mundial que vive em países com boa liberdade de imprensa: de cerca de 20% para menos de 1%. Atualmente, apenas sete países — todos no norte da Europa e liderados pela Noruega — mantêm essa classificação.
Os Estados Unidos também apresentaram piora no ranking, caindo para a 64ª posição. Segundo o relatório, o cenário no país foi impactado por ataques recorrentes à imprensa, detenções de jornalistas e cortes no financiamento de veículos internacionais.
A RSF também destacou retrocessos significativos em outras regiões. O Níger, sob regime militar, teve a maior queda no ranking, refletindo um padrão mais amplo de deterioração no Sahel, onde conflitos armados e governos autoritários têm restringido o acesso a informações independentes.
Em países como China, Coreia do Norte e Eritreia — que ocupa a última posição pelo terceiro ano consecutivo — a situação permanece estável, porém crítica. Já o Leste Europeu e o Oriente Médio seguem sendo considerados os ambientes mais perigosos para jornalistas, com destaque para a Rússia, classificada entre os piores países devido a restrições legais e à prisão de profissionais da imprensa.
Por outro lado, a Síria apresentou a maior melhora no ranking após mudanças políticas recentes, subindo 36 posições.
Fundada na França em 1985, a RSF monitora anualmente a situação da liberdade de imprensa no mundo e utiliza indicadores como independência editorial, segurança de jornalistas e acesso à informação para compor seu índice.
Fonte: CBS

