As revelações envolvendo negociações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, abriram uma nova frente de investigação na Polícia Federal (PF). O foco agora é rastrear movimentações financeiras realizadas por meio de empresas e fundos sediados nos Estados Unidos e identificar o destino final dos recursos envolvidos na produção cinematográfica.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, investigadores avaliam que o avanço da apuração dependerá de mecanismos formais de cooperação internacional, já que parte das operações financeiras teria passado por estruturas fora da jurisdição brasileira.
O caso ganhou repercussão após reportagem do site Intercept Brasil revelar mensagens e áudios em que Flávio Bolsonaro cobrava repasses financeiros de Daniel Vorcaro para viabilizar o longa-metragem. Documentos apontam previsão de investimentos de aproximadamente R$ 134 milhões na produção.
Parte dos recursos teria sido enviada pela empresa Entre Investimentos, ligada ao banqueiro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e administrado por Paulo Calixto, advogado do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Investigadores tentam esclarecer se houve irregularidades nas operações e se parte dos valores teria sido utilizada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Especialistas em Direito Penal ouvidos pela reportagem afirmam que, apesar das mensagens e transferências financeiras levantarem suspeitas, ainda não há elementos suficientes para caracterizar crimes como corrupção passiva sem a comprovação de uma contrapartida política concreta.
“Há indícios de uma relação que pode ter relevância penal, mas apenas enviar dinheiro para um filme não configura crime por si só”, afirmou o advogado Carlos Lube, mestre em Direito Penal Econômico.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores é o volume financeiro citado nas negociações. Para especialistas, o valor foge do padrão tradicional do mercado audiovisual brasileiro.
“O aporte de R$ 134 milhões extrapola qualquer produção cinematográfica brasileira”, afirmou o professor de Direito Penal Econômico da PUC-Rio, André Perecmanis, que aponta a possibilidade de investigação também por suspeita de lavagem de dinheiro.
A PF avalia que a estrutura internacional utilizada nas movimentações pode dificultar o rastreamento completo dos recursos, especialmente sem o compartilhamento de dados por autoridades americanas.
Enquanto isso, o caso aumenta a pressão política sobre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e amplia o cerco investigativo em torno de relações financeiras envolvendo integrantes do bolsonarismo.
Fonte: Infomoney/ O Globo

