O atual episódio de El Niño pode provocar cerca de 451 mil mortes adicionais relacionadas ao calor nos primeiros nove meses do fenômeno, em comparação com um ano considerado normal, segundo uma projeção do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago.
De acordo com os pesquisadores, o número se soma aos impactos esperados de secas, incêndios florestais e enchentes, provocados pelo aumento das temperaturas e pelas mudanças nos padrões de chuva.
Países mais afetados
A projeção indica que os maiores impactos devem ocorrer em países do Sul Global. Nigéria, Sudão, Níger e Chade, por exemplo, podem registrar juntos mais de 65 mil mortes relacionadas ao calor.
Nas Filipinas, Vietnã, Tailândia, Camboja e Indonésia, a estimativa conjunta se aproxima de 40 mil mortes. Brasil e Índia também estão entre os países que podem enfrentar números elevados.
Michael Greenstone, cofundador do Climate Impact Lab, afirmou que, apesar de o número global ser difícil de dimensionar, ele representa pessoas e famílias que podem ser afetadas pelas temperaturas extremas.
El Niño pode ser o mais forte já registrado
El Niño é um fenômeno climático caracterizado, entre outros fatores, pelo aumento das temperaturas das águas do Oceano Pacífico próximo à linha do Equador. O fenômeno influencia os padrões climáticos em diferentes partes do mundo, podendo provocar ondas de calor, secas e enchentes, dependendo da região.
Meteorologistas vêm alertando para os possíveis efeitos históricos do atual episódio. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirmou que o fenômeno pode se tornar o mais intenso já registrado, com os impactos mais severos ainda pela frente.
A agência da ONU prevê que o El Niño atinja seu pico de intensidade próximo ao fim de 2026. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos também estima que o fenômeno provavelmente permaneça durante o inverno do Hemisfério Norte e possa se estender até a primavera.
Medidas podem reduzir os impactos
Segundo o Climate Impact Lab, os dados podem ajudar governos e organizações humanitárias a direcionar recursos para as regiões mais vulneráveis.
Entre as medidas citadas estão alertas de calor, atendimento às populações vulneráveis, centros de resfriamento, pontos de hidratação, proteção para trabalhadores expostos ao calor e ampliação da capacidade dos sistemas de saúde.
Fonte: CBS

