Mau cheiro, contaminação da água, da vegetação e do pescado. Ecossistema fundamental para a Comunidade Quilombola de Maria Joaquina, em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, o Brejo da Flexeira foi transformado ao longo dos últimos quatro anos pelo despejo irregular de esgoto. A Prefeitura de Cabo Frio é a principal responsável pela poluição, denunciam os moradores do quilombo e o Ministério Público Federal (MPF)
. O órgão ajuizou uma ação civil pública nesta semana, com tutela de urgência, para que o município adote medidas imediatas e definitivas em relação ao problema.
À
Agência Brasil, a administração municipal disse que a questão está sendo avaliada pelas áreas técnica e jurídica responsáveis, e que medidas cabíveis serão tomadas a partir das conclusões.
A origem da poluição, segundo a denúncia, é a instalação pela Prefeitura de uma rede de drenagem em 2022, com manilhas que desembocam no Brejo da Flexeira. Por meio de ligações clandestinas conectadas à rede, o esgoto é lançado irregularmente por moradores e comerciantes de regiões próximas ao quilombo.
De acordo com a educadora socioambiental e coordenadora executiva da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Rejane Maria de Oliveira, a obra seguiu sem interrupção mesmo após notificações do Ministério Público.

