Os motoristas americanos podem começar a sentir no bolso os efeitos da escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Com a disparada do preço do petróleo nos mercados internacionais, especialistas alertam que o valor da gasolina deve subir de forma significativa ainda nesta semana.
O barril do petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançou 6,2% na segunda-feira, alcançando US$ 71,19, segundo dados da FactSet. Já o Brent, referência global, saltou quase 9%, chegando a US$ 79,31 — o maior patamar em mais de um ano.
De acordo com Patrick De Haan, analista da GasBuddy, alguns postos podem elevar os preços em até 30 centavos de dólar por galão até o fim da semana. Na segunda-feira, o preço médio nacional da gasolina era de cerca de US$ 3 por galão, aproximadamente 20 centavos acima do registrado no início de janeiro, segundo a AAA.
“Os motoristas devem se preparar para aumentos graduais nesta semana”, afirmou De Haan. Segundo ele, postos com preços mais baixos tendem a reajustar primeiro, de forma mais visível.
O aumento ocorre em um momento delicado para as famílias americanas, que já enfrentam pressão no orçamento com os altos custos de alimentação, saúde e moradia. Apesar da recente alta, os preços da gasolina ainda estão mais de 7% abaixo do registrado há um ano, segundo os dados mais recentes de inflação.
Um possível fator de alívio pode vir da Venezuela. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que navios carregados com petróleo venezuelano já estão chegando ao país. Após a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças americanas em janeiro, o presidente Donald Trump anunciou planos de exportar entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo venezuelano em parceria com empresas dos EUA.
Segundo Wright, a chegada desse petróleo pode ajudar a conter os preços dos combustíveis. “Mais petróleo venezuelano entrando nos Estados Unidos ajuda a manter os preços da gasolina e do diesel sob controle”, afirmou.
Economistas alertam, no entanto, que a alta do petróleo pode reacender a inflação no país, que vinha desacelerando. Como o petróleo impacta custos de transporte, logística e produção industrial, o aumento tende a se espalhar pela economia. Para especialistas, isso pode levar o Federal Reserve a adiar cortes na taxa básica de juros, previstos por parte do mercado para o meio do ano.
Fonte: CBS

