Acaba nesta terça-feira (31) o prazo dado pelo Banco Central (BC) para o Banco de Brasília (BRB) divulgar o balanço de 2025
. Em meio à pressão do mercado e sem indicação da autoridade monetária sobre uma possível prorrogação do prazo, o banco pode sofrer sanções.
O atraso na apresentação dos resultados aumenta a cobrança por medidas para recompor o capital da instituição. A situação se agrava, porque os balanços do terceiro e do quarto trimestres de 2025 também seguem pendentes.
A demora amplia a desconfiança de investidores e pode afetar diretamente a liquidez do banco.
O presidente do BRB, Nelson de Souza, afirma que o pedido de extensão do prazo se deve ao momento atípico enfrentado pela instituição. O BRB pediu ao Banco Central ampliação do prazo até junho, no entanto, não recebeu respostas.
Analistas consideram que o Banco Central tende a manter postura rigorosa e autorizar prorrogações apenas em crises que afetam todo o sistema financeiro, o que não é caso do banco.
Pressão do mercado
A incerteza sobre os números do banco eleva o risco percebido pelos investidores.
Atrasos na divulgação de balanços costumam ser interpretados como sinal de problemas mais graves.Com isso, há risco de rebaixamento de rating (nota de crédito do banco) e saída de investidores institucionais, o que pode pressionar o caixa e dificultar novas captações.
Risco de sanções- Caso o prazo não seja cumprido, o BRB pode sofrer penalidades regulatórias. Entre elas:
- Multas diárias por atraso;
- Investigação de diretores;
- Aumento das punições em caso de descumprimento.
As penalidades podem chegar a R$ 25 mil por infração, segundo especialistas.
Plano de capital
Para reforçar o caixa, o Governo do Distrito Federal tenta viabilizar empréstimo de R$ 4 bilhões pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O objetivo é garantir liquidez e evitar riscos ao sistema financeiro.
A proposta inclui:- carência de 18 meses;
- pagamentos semestrais;
- garantias com ativos públicos, como participações em estatais e imóveis do Governo do Distrito Federal.
Além do empréstimo, o banco avalia outras medidas para obter recursos:
- venda de ativos;
- securitização (conversão) de receitas;
- uso de dividendos de estatais.
Uma assembleia de acionistas, ainda sem nova data, deve discutir aumento de capital com emissão de novas ações.
Contexto
A crise do banco está ligada a operações com o Banco Master, que geraram prejuízos bilionários e aumentaram a necessidade de capitalização.
O Banco de Brasília adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos considerados irregulares do Banco Master.A instituição afirma, contudo, que conseguiu recuperar parte desses recursos, ao trocar algumas operações de crédito por outros ativos.
Atualmente, a necessidade de provisões do BRB gira em torno de R$ 8,8 bilhões, mas uma auditoria independente estima um impacto maior, de até R$ 13,3 bilhões, relacionado a operações com indícios de falta de lastro.
Nessa segunda-feira (30), a nova
governadora do Distrito Federal, Celina Leão, defendeu mais transparência no BRB e pediu o afastamento de executivos envolvidos nas operaçõessob investigação. As declarações ocorreram horas depois de ela tomar posse, após a renúncia de Ibaneis Rocha para disputar uma vaga ao Senado nas eleições de 2026.

