Os gastos de brasileiros no exterior atingiram um novo recorde no primeiro trimestre de 2026, impulsionados principalmente pela queda do dólar. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (24), as despesas somaram US$ 6,04 bilhões entre janeiro e março — o maior valor já registrado para o período desde o início da série histórica, em 1995.
O montante representa um crescimento de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025, quando os gastos totalizaram US$ 4,96 bilhões. Apenas no mês de março, os brasileiros desembolsaram US$ 1,99 bilhão no exterior, também um recorde para o mês.
A valorização do real frente ao dólar tem sido um dos principais fatores por trás desse aumento. Com a moeda americana mais barata — acumulando queda de 8,85% no ano, apesar de ter fechado a R$ 5 na última quinta-feira — despesas como passagens, hospedagens e compras internacionais se tornam mais acessíveis.
O cenário cambial favorável ocorre em meio a fatores externos, como a guerra no Oriente Médio. O mercado avalia que o Brasil, como exportador de petróleo, tem se beneficiado do contexto, atraindo mais dólares para o país e fortalecendo a moeda nacional. Além disso, o crescimento econômico, ainda que em ritmo mais moderado, também contribui para o aumento dos gastos no exterior.
No setor externo, o Banco Central informou que o déficit em transações correntes caiu 10,76% no primeiro trimestre, somando US$ 20,27 bilhões, contra US$ 22,71 bilhões no mesmo período do ano passado. Esse indicador reúne dados da balança comercial, serviços e remessas de rendas ao exterior.
Já os investimentos estrangeiros diretos no Brasil apresentaram leve queda, passando de US$ 23,04 bilhões no primeiro trimestre de 2025 para US$ 21,03 bilhões neste ano. Ainda assim, esses recursos foram suficientes para cobrir o déficit externo no período.
Fonte: G1

