Após a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidar, em fevereiro, parte das tarifas impostas por Donald Trump, o governo passou a buscar novas formas de taxar importações e manter a arrecadação. Inicialmente, foram adotadas tarifas temporárias, mas elas devem expirar em menos de três meses, pressionando a Casa Branca a encontrar alternativas mais duradouras.
A partir desta semana, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA inicia audiências que podem resultar em uma nova rodada de tarifas. As investigações incluem cerca de 60 economias, responsáveis por quase todas as importações americanas, avaliando práticas como uso de trabalho forçado. Outra apuração analisará se grandes parceiros comerciais, como China, União Europeia e Japão, estariam produzindo em excesso e prejudicando empresas americanas.
As possíveis novas tarifas serão baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite sanções contra práticas consideradas injustas. Diferentemente das medidas anteriores, essas tarifas tendem a ser mais robustas juridicamente, embora ainda possam enfrentar questionamentos na Justiça.
A decisão da Suprema Corte considerou que Trump extrapolou sua autoridade ao usar uma lei de emergência de 1977 para impor tarifas amplas. Com isso, o governo terá que devolver valores arrecadados com essas cobranças.
Para compensar, o governo adotou tarifas temporárias de até 10%, com possibilidade de aumento para 15%, mas a medida tem prazo limitado. Além disso, o Congresso demonstra pouca disposição para estender essas taxas, especialmente diante da insatisfação dos eleitores com o custo de vida elevado.
Especialistas apontam que, embora o novo caminho possa oferecer maior respaldo legal, o processo acelerado das investigações levanta dúvidas sobre sua legitimidade. Ainda assim, a estratégia indica a continuidade da política protecionista do governo, com impacto potencial sobre preços e comércio internacional.
Fonte: ABC

