O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) abriu uma investigação para apurar possíveis práticas anticompetitivas no setor de processamento de carne bovina. A apuração ocorre em um contexto de forte alta nos preços da carne no país e redução do rebanho, fatores que têm pressionado o mercado.
Entre as empresas investigadas estão a brasileira JBS e a National Beef, controlada pela Marfrig — que, no ano passado, se uniu à BRF para formar a MBRF. Também são alvo da investigação as gigantes americanas Tyson Foods e Cargill. Juntas, essas quatro companhias respondem por cerca de 85% das compras de gado nos Estados Unidos, o que levanta preocupações sobre a concentração de mercado.
O anúncio foi feito em coletiva na Casa Branca pelo procurador-geral interino, Todd Blanche, e pelo conselheiro de Comércio e Indústria, Peter Navarro. Blanche afirmou que o governo pretende avançar rapidamente nas apurações, mas não detalhou o escopo da investigação.
Segundo informações da agência Bloomberg, o Departamento de Justiça já havia iniciado uma investigação criminal sobre a forma como frigoríficos compram gado de pecuaristas. A nova apuração também inclui uma frente civil e foi impulsionada por uma ordem do presidente Donald Trump, que determinou uma análise mais ampla do setor diante dos preços recordes da carne.
Um dos principais pontos sob escrutínio é o uso de acordos alternativos de comercialização entre frigoríficos e criadores de gado, em substituição a leilões abertos. Embora esses contratos sejam baseados em preços de mercado, autoridades e produtores levantam dúvidas sobre possíveis distorções causadas pela alta concentração nas mãos de poucas empresas.
Paradoxalmente, apesar da alta nos preços ao consumidor, dados do setor indicam que os frigoríficos vêm enfrentando prejuízos por animal processado, devido à escassez de gado. Os contratos futuros de bovinos atingiram níveis recordes recentemente, e os Estados Unidos ampliaram as importações para atender à demanda interna.
Representantes da indústria afirmam que os produtores estão sendo pagos com valores elevados justamente pela falta de oferta de animais. Até o momento, as empresas citadas não comentaram a investigação.
Fonte: O Globo

