Conseguir um emprego de verão nos Estados Unidos está se tornando cada vez mais difícil para adolescentes, segundo novos dados federais e relatos de jovens que enfrentam semanas de procura sem retorno das empresas.
Tradicionalmente, muitos adolescentes americanos iniciavam a vida profissional durante as férias escolares trabalhando em restaurantes, lojas, piscinas, acampamentos ou pequenos comércios. Mas esse cenário vem mudando rapidamente.
Dados do Bureau of Labor Statistics (BLS) mostram que o aumento no número de adolescentes empregados entre abril e julho de 2025 foi o menor já registrado desde o início da série histórica, em 1948.
Segundo o levantamento, o número de jovens de 16 a 19 anos empregados cresceu apenas 801 mil no período — um ritmo muito abaixo do observado em décadas anteriores.
A tendência de desaceleração continua em 2026. Em abril deste ano, cerca de 5,19 milhões de adolescentes estavam empregados nos EUA, número inferior aos 5,48 milhões registrados no mesmo mês de 2025.
Além disso, apenas 33,8% dos adolescentes estavam trabalhando ou procurando emprego em abril deste ano, percentual bem abaixo dos níveis históricos.
Jovens relatam dificuldade para conseguir vaga
O estudante Julian Rivera, de 17 anos, contou ao programa “Good Morning America” que precisou enviar cerca de 20 candidaturas antes de conseguir uma vaga de meio período em um restaurante em Nova Jersey.
“Me candidatei para supermercados, restaurantes e lojas. Muitos lugares já não estavam contratando ou queriam alguém com experiência”, relatou.
Segundo ele, o processo foi muito mais competitivo do que imaginava.
“Os adultos falam como se fosse fácil conseguir um emprego de verão, mas não é mais assim”, afirmou.
A mãe do adolescente, Melissa Rivera, disse ter ficado surpresa com a mudança no mercado de trabalho desde a época em que era jovem.
“Antes você entrava numa loja, pegava um formulário e conseguia entrevista rapidamente. Agora tudo é online e existe muita concorrência”, disse.
Automação e novas exigências mudaram mercado
Especialistas afirmam que muitos dos empregos tradicionalmente ocupados por adolescentes desapareceram ou foram reduzidos por causa da automação.
Chris Greene, fundador de uma plataforma de orientação profissional para jovens, explicou que sistemas de autoatendimento, aplicativos e pedidos digitais diminuíram a necessidade de funcionários iniciantes em diversas empresas.
Além disso, empregadores passaram a exigir habilidades que antigamente eram aprendidas justamente no primeiro emprego.
“Hoje muitos empresários esperam que os adolescentes já saibam se comunicar profissionalmente antes mesmo da contratação”, afirmou Greene.
Segundo ele, dificuldades de comunicação têm sido um dos principais problemas observados entre candidatos jovens.
“Muitos adolescentes têm dificuldade em manter contato visual, conversar com adultos ou responder perguntas com confiança”, explicou.
Especialistas recomendam persistência e criatividade
Greene afirma que muitos jovens cometem o erro de apenas preencher candidaturas online e esperar retorno das empresas.
Ele recomenda que adolescentes façam acompanhamento das candidaturas, conversem pessoalmente com empregadores quando possível e pratiquem entrevistas.
O especialista também alerta que alguns pais acabam interferindo demais no processo — entrando em contato com empresas ou preenchendo formulários pelos filhos — algo que pode prejudicar a imagem do candidato.
Mesmo com menos vagas tradicionais disponíveis, Greene diz que adolescentes ainda podem desenvolver experiência profissional por meio de:
- trabalhos freelancers;
- voluntariado;
- pequenos negócios;
- projetos comunitários;
- ou serviços locais.
Para Julian Rivera, a busca pelo primeiro emprego acabou se tornando uma lição de persistência.
“Aprendi que você precisa continuar tentando, conversar com as pessoas e não desistir”, disse.
Fonte: ABC

