Ter um bebê nos Estados Unidos pode ficar mais caro e mais complicado a partir de janeiro de 2027. Isso porque um novo sistema de cobrança médica permitirá que médicos e hospitais passem a cobrar separadamente por consultas, exames e serviços relacionados à gravidez, parto e pós-parto.
Atualmente, muitos obstetras recebem um pagamento único “agrupado” que cobre todo o acompanhamento da gestação. Com a mudança, os serviços passarão a ser cobrados individualmente — modelo conhecido como *fee-for-service*.
A alteração foi desenvolvida pelo American College of Obstetricians & Gynecologists (ACOG), principal entidade de obstetras e ginecologistas dos EUA, em parceria com a American Medical Association (AMA).
Segundo os defensores da mudança, o novo sistema reflete melhor a realidade atual da maternidade, já que gestantes estão mais velhas, apresentam casos mais complexos e frequentemente recebem atendimento de vários profissionais diferentes.
“O número atual de consultas pré-natais previsto no sistema é arbitrário e não representa o que a maioria das pacientes realmente precisa”, explicou Lisa Hofler, chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade do Novo México.
Com os novos códigos, médicos poderão cobrar por consultas presenciais, atendimentos virtuais, monitoramento pós-parto e outros serviços extras conforme a necessidade individual de cada paciente.
Apesar disso, especialistas e defensores dos pacientes alertam que o novo formato pode aumentar os custos para famílias, principalmente para quem possui planos de saúde com franquias altas.
“A questão do custo é crítica. Haverá muito mais itens sendo cobrados separadamente”, afirmou Laurie Zephyrin, médica obstetra e pesquisadora da organização The Commonwealth Fund.
Hoje, famílias com plano de saúde empresarial gastam, em média, US$ 2.743 do próprio bolso durante a gravidez e o parto, segundo levantamento do Peterson-KFF Health System Tracker.
Especialistas também temem que o novo modelo incentive médicos e hospitais a solicitarem mais exames, mais consultas e serviços mais caros para aumentar o faturamento.
“Cobrança por serviço em qualquer área da saúde tende a incentivar mais testes e procedimentos”, disse Magda Rusinowski, vice-presidente da Business Group on Health.
Outro ponto de preocupação é que o sistema pode elevar os custos gerais dos planos de saúde, impactando o valor dos seguros médicos pagos pelos americanos.
Por outro lado, o ACOG argumenta que o novo formato pode melhorar especialmente o acompanhamento pós-parto, área considerada crítica nos EUA, país que possui uma das maiores taxas de mortalidade materna entre nações desenvolvidas.
O novo sistema também permitirá um acompanhamento mais detalhado de questões como depressão pós-parto, diabetes gestacional e problemas cardíacos após o nascimento do bebê.
A implementação definitiva ainda depende de aprovação final do Centers for Medicare & Medicaid Services (CMS), órgão federal responsável pelos pagamentos de saúde nos Estados Unidos.
Fonte: CBS

