O governo brasileiro e representantes dos Estados Unidos devem realizar, até a próxima semana, uma nova rodada de negociações sobre a proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A expectativa é de que esta seja uma das últimas tentativas de acordo antes da decisão final do governo americano.
As conversas serão conduzidas pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, em reuniões com representantes do Departamento de Comércio dos Estados Unidos.
Nos bastidores, integrantes do governo avaliam de forma positiva as audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que reuniu empresas, entidades e representantes brasileiros para discutir os impactos das tarifas.
Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, os relatos dos observadores enviados às audiências devem ajudar a definir a estratégia brasileira na nova fase das negociações.
Participação de Flávio Bolsonaro gera preocupação
Apesar da avaliação favorável das audiências, integrantes do governo demonstram preocupação com a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que discursou durante uma das sessões e pediu aos Estados Unidos que adiassem a adoção das tarifas.
Na avaliação de interlocutores do Palácio do Planalto, a manifestação do parlamentar pode ter peso político e reduzir as chances de uma mudança de posição da administração do presidente Donald Trump.
Ainda assim, diplomatas afirmam que a decisão americana não deve depender apenas desse episódio.
Negociação técnica e influência política
Segundo integrantes do governo, existem atualmente duas frentes distintas no processo.
A primeira é conduzida pelo USTR, responsável pela investigação comercial e pela análise técnica dos impactos econômicos, das cadeias produtivas e dos argumentos apresentados por empresas e associações dos dois países.
Já a segunda envolve o Departamento de Estado, liderado pelo secretário Marco Rubio, que pode exercer influência política sobre a decisão final da Casa Branca.
Por isso, o governo brasileiro evita fazer previsões sobre o resultado das negociações, embora admita que o cenário seja considerado desafiador.
Planalto critica senador
Na terça-feira (7), o Palácio do Planalto divulgou uma nota oficial criticando a participação de Flávio Bolsonaro na audiência pública do USTR.
Segundo o governo, o senador foi o único entre os 34 brasileiros inscritos que não se posicionou contra as novas tarifas.
O comunicado afirma que Flávio agiu com "claro objetivo eleitoreiro" e o acusa de não contestar as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a adoção das medidas.
A nota também afirma que existe uma diferença entre fazer oposição ao governo e atuar contra os interesses do país, classificando a postura do senador como uma "traição à Pátria".
Por fim, o governo reforçou que mantém negociações com os Estados Unidos de forma contínua desde o início das discussões, com o objetivo de evitar a entrada em vigor das novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Fonte: CNN

