O Brasil foi o país mais prejudicado pela reformulação das tarifas de importação adotada pelo governo do presidente Donald Trump, segundo análise publicada pelo Financial Times com base em dados da organização independente Global Trade Alert.
De acordo com o levantamento, a tarifa efetiva média aplicada pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros aumentou de 11% para 17,7%, a maior elevação registrada entre os principais parceiros comerciais do país.
Enquanto isso, diversos países europeus foram relativamente beneficiados pela nova política. França, Alemanha, Reino Unido e Espanha, por exemplo, passaram a enfrentar tarifas efetivas menores sobre parte de suas exportações para o mercado americano.
A mudança ocorre após a Suprema Corte dos Estados Unidos considerar ilegais, no início deste ano, as tarifas amplas anunciadas por Trump em abril de 2025. Para manter sua política comercial, o governo substituiu a tarifa global temporária de 10% por alíquotas específicas para cada país, utilizando dispositivos da legislação comercial americana.
Segundo George Riddell, diretor da consultoria Goyder, o novo modelo torna mais difícil que uma decisão judicial derrube toda a política tarifária de uma só vez, já que eventuais contestações tendem a produzir efeitos apenas para os países envolvidos.
Além disso, na quinta-feira (23), os Estados Unidos anunciaram uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros 59 países, alegando que essas nações não combatem de forma eficaz a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Como o Brasil já estava sujeito a uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos, parte das exportações brasileiras poderá enfrentar uma carga tarifária de até 37,5%, dependendo do item exportado.
O governo americano informou que alguns produtos considerados estratégicos ficarão isentos das novas cobranças.
Em resposta, o governo brasileiro informou que segue negociando com as autoridades americanas e ampliou o apoio às empresas afetadas por meio do Plano Brasil Soberano, que já disponibilizou R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para os setores impactados.
O estudo também mostra que outros países da América Latina e da Ásia, como China, Vietnã, Indonésia, Chile e Colômbia, registraram aumentos menores nas tarifas efetivas, variando entre 0,5 e 1 ponto percentual.
Já a União Europeia, apesar de ter sido beneficiada nesta rodada de mudanças, continua acompanhando possíveis novas investigações comerciais dos Estados Unidos. Caso novas tarifas sejam impostas, a Comissão Europeia já prepara um pacote de retaliação que poderá atingir cerca de € 93 bilhões (aproximadamente R$ 590 bilhões) em exportações americanas, incluindo automóveis, bourbon e soja.
Fonte: G1

