A inflação nos Estados Unidos permaneceu elevada em agosto, com os preços ao consumidor subindo 3,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Departamento do Trabalho nesta sexta-feira. O resultado repetiu o ritmo registrado em julho, mas ficou ligeiramente acima das expectativas dos economistas, que projetavam uma alta anual de 3,3%.
O resultado aumentou a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) promova, na próxima semana, a primeira alta da taxa de juros em mais de três anos.
O índice de preços ao consumidor (CPI) acompanha a variação dos valores de uma cesta de produtos e serviços normalmente adquiridos pelas famílias americanas.
Embora a inflação tenha desacelerado desde atingir o maior nível em três anos, em maio, ela continua acima da meta de 2% do Federal Reserve. Os preços de energia seguem entre os principais fatores de pressão, em meio ao aumento dos custos provocado pela guerra com o Irã.
Combustíveis pesam sobre a inflação
De acordo com o Departamento do Trabalho, os preços da gasolina responderam por mais de um terço do aumento mensal do CPI em agosto. A gasolina acumula alta de 27,4% em relação a um ano antes e subiu 3,9% apenas no mês passado.
O chamado CPI núcleo, que exclui alimentos e energia por serem categorias mais voláteis, avançou 2,4% em 12 meses, em linha com as previsões e abaixo dos 2,5% registrados em julho.
Na comparação mensal, porém, o núcleo da inflação subiu 0,3%, acima da projeção dos economistas e acelerando em relação à alta de 0,2% registrada em julho.
Esse dado deve receber atenção especial do Fed para avaliar se o aumento dos preços de energia está começando a se espalhar para outros produtos e serviços.
Pressão aumenta sobre decisão do Fed
A próxima decisão sobre os juros está marcada para quarta-feira, 16 de setembro. O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou no mês passado, durante um discurso em Jackson Hole, que controlar as pressões sobre os preços continua sendo uma das principais prioridades do banco central.
Após a divulgação do CPI, a probabilidade de uma alta dos juros na próxima semana saltou de 70% para 90%, segundo o CME FedWatch, que calcula as expectativas do mercado com base nos preços dos contratos futuros dos Fed funds.
Enquanto isso, os custos de energia continuam subindo. O diesel atingiu um novo recorde de US$ 6,06 por galão nesta sexta-feira, uma alta de mais de 60% em relação aos US$ 3,71 registrados um ano antes, segundo dados da AAA.
A gasolina também alcançou US$ 4,30 por galão em média no país.
Especialistas alertam que os números de agosto ainda não refletem completamente a aceleração mais recente dos preços de combustíveis. Alexandra Wilson-Elizondo, chefe global e co-diretora de investimentos da área de soluções multimercado da Goldman Sachs Asset Management, afirmou que o período de coleta dos dados ocorreu antes da disparada mais recente dos preços de energia.
Segundo ela, há poucos sinais de que a inflação esteja retornando à meta do Fed no curto prazo. A alta do petróleo Brent, que ultrapassou US$ 100 por barril em meio às tensões no Estreito de Ormuz, pode manter a pressão sobre os preços nos próximos meses.
Fonte: CBS

