O preço do diesel nos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 6 por galão, atingindo um novo recorde e aumentando a pressão sobre empresas de transporte, construção, agricultura e, potencialmente, os consumidores.
Segundo dados da AAA, o preço médio nacional chegou a US$ 6,05 por galão nesta sexta-feira, uma alta de mais de 60% em relação aos US$ 3,71 registrados no mesmo período do ano passado. Na Califórnia, estado com os combustíveis mais caros do país, o diesel chegou a US$ 7,98 por galão.
O diesel é amplamente utilizado por caminhões e ferrovias, que transportam mercadorias por todo o país, além de ser essencial para máquinas usadas na construção civil e no setor agrícola.
A gasolina também continua subindo e alcançou uma média nacional de US$ 4,29 por galão, de acordo com a AAA.
Aumento pode chegar ao consumidor
Economistas afirmam que muitas empresas ainda conseguiram absorver parte do aumento do diesel sem repassar imediatamente os custos aos consumidores. Isso, porém, pode mudar nos próximos meses caso os preços permaneçam elevados.
Thomas Ryan, economista sênior para a América do Norte da Capital Economics, afirmou que os consumidores provavelmente terão de conviver com os efeitos dos preços mais altos do diesel pelo menos até o fim deste ano.
O impacto já aparece no atacado. O Departamento do Trabalho informou que mais de um terço do aumento nos preços de bens pagos pelos produtores em agosto foi atribuído à alta do diesel, que subiu 24,1% no mês.
Quando contratos com fornecedores forem renegociados e empresas começarem a pagar sobretaxas de combustível, a margem para absorver esses custos pode diminuir. Nesse cenário, os aumentos tendem a ser repassados aos consumidores.
Por que o diesel está tão caro?
Segundo Patrick De Haan, especialista em petróleo da GasBuddy, a disparada está relacionada à guerra entre Estados Unidos e Irã, que reduziu a oferta global de petróleo.
O preço do petróleo Brent, referência internacional, chegou a US$ 108 por barril na quinta-feira, em meio à escalada dos conflitos.
Outro fator é a redução da capacidade global de refino, especialmente no Oriente Médio e na Rússia. Ataques de drones ucranianos contra a infraestrutura energética russa reduziram a capacidade do país de processar petróleo, aumentando ainda mais a pressão sobre os preços.
De Haan afirma que a Rússia tem atualmente pouca disponibilidade de diesel para exportação, o que representa um problema para a economia global, já que grande parte das máquinas pesadas depende do combustível.
As restrições de oferta ajudam a explicar por que o diesel está subindo mais rapidamente do que a gasolina.
Analistas da S&P Global Energy também avaliam que a produção mundial de petróleo pode não retornar aos níveis anteriores à guerra até o fim de 2027, prazo mais longo do que a previsão anterior da empresa.
Alimentos podem ficar mais caros
Um dos setores mais vulneráveis ao aumento do diesel é o de alimentos.
Produtos que precisam de refrigeração e percorrem longas distâncias, como frutos do mar e alimentos frescos, tendem a sofrer maior pressão de custos. Já produtos não perecíveis e itens produzidos localmente são menos dependentes de longos deslocamentos e, portanto, podem sentir menos o impacto do combustível.
David Ortega, economista especializado em alimentos da Michigan State University, destaca que o aumento dos custos de transporte pode acabar chegando às prateleiras dos supermercados.
O efeito também pode aparecer em outros setores. Móveis, veículos e produtos que percorrem longas distâncias podem ficar mais caros à medida que empresas repassem os custos adicionais de transporte.
Para especialistas, se o diesel permanecer acima de US$ 6 por galão por várias semanas, o impacto sobre a economia americana tende a se tornar cada vez mais amplo.
Fonte: CBS

