A plataforma de revenda de ingressos StubHub está sendo processada por torcedores que afirmam ter perdido a oportunidade de assistir a partidas da Copa do Mundo após a empresa cancelar pedidos ou deixar de entregar os ingressos adquiridos.
A ação foi apresentada nesta semana em um tribunal federal de Nova York pelos consumidores Julia Reeker Moghal e Reuben Renteria, ambos da Califórnia. Eles acusam a empresa de adotar práticas comerciais "falsas e enganosas" ao vender ingressos que, segundo o processo, nunca existiram ou foram posteriormente invalidados.
Os autores buscam transformar o caso em uma ação coletiva, alegando que centenas ou até milhares de torcedores podem ter sido afetados por problemas semelhantes durante a fase de grupos do torneio.
Segundo a ação, muitos consumidores compraram ingressos que "não existiam, foram revogados sem qualquer aviso prévio ou desapareceram" devido ao que a Fifa classificou como problemas relacionados à infraestrutura digital.
Além de indenizações financeiras, os torcedores pedem que a Justiça proíba a StubHub de comercializar ingressos para a Copa do Mundo e determine que os lucros obtidos com essas vendas sejam destinados aos consumidores prejudicados.
Empresa culpa sistema da Fifa
Em nota, a StubHub informou que seu principal objetivo é garantir o acesso dos fãs aos eventos e destacou que oferece a garantia FanProtect, que prevê a substituição dos ingressos ou o reembolso integral em caso de problemas.
A empresa, no entanto, atribuiu boa parte das dificuldades à plataforma de emissão de ingressos da Fifa.
Já a entidade máxima do futebol afirmou que não controla transações realizadas em plataformas de terceiros e rejeitou qualquer responsabilização pelos problemas enfrentados pelos usuários desses serviços.
A Fifa reforça que recomenda aos torcedores a compra e revenda de ingressos por meio de seu próprio marketplace oficial, onde cobra uma taxa de 30% sobre cada revenda.
Casos relatados
De acordo com o processo, Julia Moghal pagou US$ 1.905 por três ingressos para a partida entre Suíça e Bósnia e Herzegovina, disputada no dia 18 de junho, no SoFi Stadium, na Califórnia.
Ela afirma que recebeu notificações informando que os ingressos estavam disponíveis, depois foi avisada de que o pedido havia sido cancelado e, posteriormente, voltou a ser informada de que receberia os bilhetes cerca de uma hora antes do início da partida.
Confiando nessa informação, Moghal foi até o estádio, aguardou na fila, mas os ingressos nunca chegaram. Segundo a ação, apesar da promessa de reembolso, ela também não recebeu o valor de volta.
O segundo autor da ação, Reuben Renteria, desembolsou US$ 2.294 por dois ingressos para o jogo entre México e Coreia do Sul, realizado em Guadalajara.
Assim como Moghal, ele recebeu inicialmente a confirmação de que os ingressos estavam prontos, mas teve a compra cancelada pouco antes da partida. O torcedor afirma que só conseguiu o reembolso após diversas reclamações à empresa e, mesmo assim, arcou com os custos da viagem ao México.
Reclamações se multiplicam
Nas últimas semanas, diversos torcedores relataram nas redes sociais problemas semelhantes envolvendo plataformas de revenda de ingressos para a Copa do Mundo.
Entre as principais reclamações estão ingressos que nunca foram entregues, cancelamentos de última hora e dificuldades para resolver conflitos entre o sistema oficial da Fifa e empresas de revenda.
O caso reacende o debate sobre a segurança na compra de ingressos em mercados secundários e pode levar a uma maior fiscalização sobre esse tipo de plataforma em grandes eventos esportivos internacionais.
Fonte: ABC

