O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton negou qualquer envolvimento ou conhecimento sobre os crimes cometidos por Jeffrey Epstein durante depoimento à Comissão de Supervisão da Câmara, liderada por republicanos. Em sua declaração de abertura, ele afirmou: “Eu não vi nada e não fiz nada de errado”.
Clinton prestou depoimento sob juramento em Chappaqua, Nova York, no âmbito da investigação do comitê sobre o caso Epstein. Trata-se da primeira vez desde 1983 — quando Gerald Ford compareceu ao Congresso — que um ex-presidente depõe diante de um painel parlamentar.
No início de sua fala, Clinton indicou que responderia “não me recordo” a diversas perguntas, justificando que os fatos investigados ocorreram “há muito tempo”. Ele também classificou como “simplesmente inadequada” a intimação de sua esposa, Hillary Clinton.
A ex-secretária de Estado depôs um dia antes e afirmou que não conhecia Epstein, não se lembrava de tê-lo encontrado e nunca visitou sua ilha, residência ou escritório. Após o depoimento, ela criticou o foco das perguntas e disse ter sido questionada repetidamente sobre se conhecia o financista, além de ter ouvido questionamentos fora do escopo da investigação, como teorias conspiratórias sobre OVNIs e o caso “Pizzagate”.
Bill Clinton foi questionado sobre sua relação com Epstein e sobre fotografias em que aparece ao lado do financista e de Ghislaine Maxwell, condenada a 20 anos de prisão por tráfico sexual e outros crimes. O ex-presidente já havia sido associado publicamente a Epstein em 2002, quando participou de uma viagem humanitária à África a bordo do jato do empresário.
Maxwell afirmou, em entrevista gravada no ano passado, que era amiga de Clinton e que teria organizado as viagens dele na aeronave de Epstein.
Nem Bill nem Hillary Clinton foram acusados de qualquer irregularidade, e ambos negam ter conhecimento dos crimes de Epstein. Nenhuma vítima ou associado do financista fez acusações públicas contra o casal.
O presidente da comissão, James Comer, afirmou que, até o momento, ninguém está acusando os Clinton de irregularidades, mas que há “muitas perguntas” a serem respondidas.
Inicialmente, o casal havia se recusado a cumprir as intimações, alegando que não tinham base legal, e propôs entrevistas transcritas de quatro horas. Após ameaça de votação por desacato — aprovada pela comissão com apoio de nove democratas —, os Clinton concordaram em depor, adiando a votação no plenário da Câmara.
Democratas do comitê afirmaram esperar que os depoimentos levem os republicanos a investigar também possíveis vínculos de Epstein com o presidente Donald Trump, que nega qualquer conhecimento dos crimes e afirma ter rompido relações com o financista há mais de 20 anos.
Apesar de aceitarem depor a portas fechadas, os Clinton defendem que as audiências sejam públicas. Em publicação na rede X, Bill Clinton afirmou que não ficará “parado enquanto é usado como peça de teatro em um tribunal fechado” e pediu que o processo ocorra de forma aberta para que os americanos possam acompanhar.
Fonte: ABC

