O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou nesta quinta-feira (6) três relatórios do FBI que haviam sido inicialmente retidos e que contêm alegações não comprovadas de abuso sexual contra o presidente Donald Trump relacionadas ao caso do financista Jeffrey Epstein.
Os documentos, conhecidos como relatórios “FBI 302”, resumem entrevistas feitas por agentes federais em 2019 com uma mulher que afirmou ter sido abusada sexualmente por Epstein quando era adolescente, entre 13 e 15 anos, na década de 1980.
Segundo os registros divulgados, durante uma das entrevistas a mulher disse que Epstein a teria levado a Nova York ou Nova Jersey, onde ela teria sido apresentada a Trump. De acordo com o relato, o então empresário teria cometido abuso durante esse encontro.
No entanto, os relatórios indicam que a alegação não foi corroborada por outras evidências. Em uma quarta entrevista realizada em outubro de 2019, a mulher também se recusou a fornecer mais detalhes sobre o suposto episódio envolvendo Trump.
Os documentos fazem parte de um grande conjunto de arquivos relacionados ao caso Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça. Inicialmente, os relatórios não haviam sido incluídos porque foram classificados como “duplicados” de outros documentos, segundo o órgão.
Após revisão, o departamento afirmou ter identificado 15 arquivos que foram marcados de forma incorreta como duplicados, o que levou à sua liberação posterior. A pasta, no entanto, não explicou completamente por que os documentos receberam essa classificação inicialmente.
Nos depoimentos, a mulher afirmou que o primeiro contato com Epstein ocorreu quando ela aceitou um trabalho que acreditava ser de babá, mas disse que não havia crianças no local. Segundo ela, episódios semelhantes de abuso teriam ocorrido em outras ocasiões.
Os relatos também mencionam que alguns episódios teriam acontecido na Carolina do Sul, um local que não é conhecido por ter sido frequentado por Epstein, e em um período cerca de duas décadas antes de autoridades da Flórida iniciarem investigações contra o financista por exploração sexual de menores.
Trump nega qualquer irregularidade relacionada a Epstein ou conhecimento das atividades criminosas do empresário.
Antes da divulgação dos novos documentos, parlamentares democratas acusaram o Departamento de Justiça de reter ilegalmente os arquivos para proteger o presidente. O deputado Robert Garcia, da Califórnia, chegou a afirmar que o governo precisava explicar o paradeiro dos registros.
Em janeiro, quando parte dos arquivos foi divulgada, o Departamento de Justiça já havia afirmado que alguns documentos continham alegações “sensacionalistas e falsas” contra Trump, enviadas ao FBI pouco antes das eleições presidenciais de 2020.
Fonte: ABC

