Promotores nos Estados Unidos afirmam que um ex-jogador da NFL teria recorrido ao ChatGPT em busca de orientação após a morte de sua namorada, em um caso que agora está sendo tratado como homicídio.
Darron Lee, de 31 anos, ex-linebacker que atuou pela Universidade de Ohio State e pelo New York Jets, enfrenta acusação de assassinato em primeiro grau pela morte de sua namorada, Gabriella Perpetuo, filha de brasileiros. Ele compareceu ao tribunal na segunda-feira (9) para uma audiência preliminar.
De acordo com autoridades do Condado de Hamilton, no Tennessee, Perpetuo foi encontrada morta em 5 de fevereiro, na casa que o casal compartilhava na cidade de Ooltewah.
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Em imagens de câmera corporal divulgadas pela polícia, Lee afirmou aos agentes que não sabia o que havia acontecido.
“Ela não estava dizendo nada, então eu liguei imediatamente para o 911. Eu fiquei tipo: ‘O que está acontecendo?’ Eu tinha dormido por muito tempo”, disse ele aos policiais.
Conversas com ChatGPT
Durante a audiência, promotores revelaram que Lee teria enviado diversas mensagens ao ChatGPT no dia anterior à descoberta do corpo, em conversas que teriam ocorrido ao longo de dois dias.
Segundo a promotora do caso, Coty Wamp, o ex-jogador teria utilizado o chatbot como uma espécie de “consultor jurídico” ou “advogado de defesa”, pedindo orientações sobre como lidar com a situação.
“Temos o senhor Lee usando o ChatGPT como conselheiro legal, basicamente pedindo conselhos sobre como encobrir uma cena de crime”, afirmou a promotora em tribunal.
Entre as mensagens exibidas na audiência estavam frases atribuídas a Lee, como:
- “Acordei e ela estava com os dois olhos inchados, eu não fiz nada, foi autoinfligido.”
- “Ela se esfaqueou, machucou o olho.”
- “Ela não está acordando ou respondendo, o que eu faço?”
Promotores também apresentaram uma resposta gerada pelo ChatGPT que incluía a frase: “Veja o que dizer sem enquadrar a situação como problema com a polícia.”
Segundo a acusação, as conversas ajudaram os investigadores a estabelecer uma linha do tempo dos acontecimentos.
Contradições na investigação
Em uma audiência anterior, investigadores disseram que Lee inicialmente afirmou à polícia que Perpetuo poderia ter se ferido após cair no chuveiro.
No entanto, segundo os detetives, as evidências coletadas na casa não são compatíveis com um acidente, indicando sinais de luta violenta e ferimentos que não corresponderiam a uma queda.
Os promotores afirmam que a vítima sofreu trauma contundente e múltiplas lesões.
Caso segue para júri
Após a audiência preliminar, o juiz decidiu encaminhar o caso para um grande júri, que avaliará formalmente as acusações.
Darron Lee permanece preso sem direito a fiança enquanto o processo continua.
Fonte: 5News

