A Uber anunciou o lançamento nacional, nos Estados Unidos, de um recurso que permite conectar passageiras e motoristas mulheres exclusivamente entre si. A funcionalidade, chamada “Women Drivers”, amplia um projeto piloto criado para responder a preocupações sobre segurança na plataforma de transporte por aplicativo.
Com a novidade, passageiras podem selecionar na plataforma a preferência por motoristas mulheres ao solicitar uma corrida. Caso o tempo de espera seja maior do que o esperado, a usuária poderá optar por aceitar um motorista de qualquer gênero. Também será possível agendar corridas com motoristas mulheres com antecedência ou ativar uma preferência permanente nas configurações do aplicativo, aumentando as chances de correspondência — embora sem garantia absoluta.
A empresa também permitirá que contas de adolescentes na plataforma solicitem motoristas mulheres. Por outro lado, motoristas mulheres poderão configurar o aplicativo para priorizar corridas com passageiras, com a opção de desativar essa preferência a qualquer momento.
Processos por discriminação
A expansão do recurso ocorre enquanto a Uber enfrenta uma ação coletiva na Califórnia, movida por motoristas que afirmam que a política é discriminatória contra homens.
Segundo os autores da ação, a funcionalidade dá às motoristas — que são minoria — acesso a todo o conjunto de passageiros, enquanto motoristas homens ficariam restritos a um grupo menor de clientes. O processo também argumenta que a política reforça estereótipos de que homens seriam mais perigosos que mulheres.
A Uber respondeu ao processo pedindo que o caso seja resolvido por arbitragem, citando um acordo firmado pelos motoristas ao se cadastrarem na plataforma. A empresa afirma que a medida não viola a legislação estadual e atende a um interesse público legítimo de aumentar a segurança.
A concorrente Lyft também enfrenta uma ação judicial semelhante por causa do recurso “Women+Connect”, que permite a correspondência entre mulheres e pessoas não binárias.
Segurança na plataforma
A Uber afirma que a nova opção responde a um pedido frequente de motoristas e passageiras que desejam se sentir mais seguras durante as corridas.
A empresa estima que cerca de 20% dos motoristas nos Estados Unidos sejam mulheres, embora a proporção varie de cidade para cidade.
O recurso foi testado inicialmente em São Francisco, Los Angeles e Detroit no ano passado, antes de ser expandido para 26 cidades americanas em novembro. A Uber já oferece opções semelhantes em mais de 40 países, incluindo Canadá e México. A primeira versão foi lançada em 2019 na Arábia Saudita, após a aprovação da lei que permitiu que mulheres dirigissem no país.
Histórico de críticas
Tanto a Uber quanto a Lyft enfrentam críticas há anos sobre segurança nas corridas, incluindo milhares de relatos de agressão sexual envolvendo motoristas e passageiros.
Dados divulgados pela própria Uber indicam que 5.981 casos de agressão sexual foram reportados em corridas nos EUA entre 2017 e 2018. Já entre 2021 e 2022, esse número caiu para 2.717 ocorrências, o que a empresa afirma representar cerca de 0,0001% das viagens realizadas no país.
Em fevereiro, um júri federal responsabilizou a Uber em um caso de agressão sexual ocorrido em 2023 no Arizona e determinou que a empresa pagasse US$ 8,5 milhões a uma mulher que afirmou ter sido estuprada por um motorista.
Fonte: ABC

