Um número crescente de trabalhadores baseados nos Estados Unidos está deixando o país para buscar oportunidades profissionais no exterior, em meio a mudanças no mercado global de trabalho. De acordo com um estudo da empresa de inteligência de mercado Revelio, a proporção de profissionais que saíram de empregos nos EUA para atuar fora mais que dobrou nos últimos anos, passando de 2,7% no fim de 2021 para 6% no final de 2025.
O levantamento inclui tanto trabalhadores americanos quanto estrangeiros que estavam empregados no país, abrangendo aqueles que migraram para empresas internacionais ou passaram a trabalhar remotamente para companhias americanas a partir de outros países.
A tendência é liderada por profissionais de tecnologia. Em áreas como consultoria em TI, cerca de 16% dos trabalhadores que mudaram de emprego em dezembro de 2025 assumiram posições fora dos Estados Unidos. O movimento coincide com o aumento dos investimentos europeus em setores como inteligência artificial e computação em nuvem, ampliando a oferta de vagas e a competitividade por talentos.
Desde o início de 2025, o fluxo de profissionais de tecnologia saindo dos EUA para a Europa superou o movimento inverso, invertendo uma tendência histórica. Países como França e Reino Unido estão entre os principais destinos.
Embora uma parte significativa dessa migração seja composta por trabalhadores estrangeiros retornando ou se deslocando para outros mercados — cerca de 30% deles deixaram os EUA ao trocar de emprego — o fenômeno reflete uma transformação mais ampla no mundo do trabalho, com menos dependência de localização geográfica.
Entre os fatores que impulsionam essa mudança estão as oportunidades de trabalho remoto, especialmente diante da retomada de políticas presenciais por parte de empresas americanas. Além disso, o custo de vida e a busca por melhor qualidade de vida também pesam na decisão.
Segundo pesquisas recentes, mais da metade dos americanos acredita que sua situação financeira está piorando, o que reforça o interesse por países onde o custo de vida seja mais equilibrado em relação aos serviços oferecidos, como saúde, transporte e educação infantil.
Especialistas apontam que, para muitos trabalhadores, benefícios como equilíbrio entre vida pessoal e profissional e melhores serviços públicos podem compensar salários nominais mais baixos, tornando o exterior uma alternativa cada vez mais atrativa.
Fonte: CBS

