O Irã acusou os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo no Estreito de Ormuz após confrontos recentes envolvendo embarcações militares. A declaração foi feita pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que afirmou que Teerã ainda “nem começou” sua resposta às ações norte-americanas na região.
Segundo Ghalibaf, ataques dos EUA contra lanchas rápidas iranianas configuram quebra da trégua e colocam em risco a segurança da navegação. Ele também indicou que o país pretende manter o bloqueio da rota marítima, considerada estratégica para o transporte global de petróleo.
O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, tem registrado forte queda no tráfego desde o fim de fevereiro, quando o Irã restringiu a circulação de embarcações comerciais após o início do conflito com EUA e Israel.
Nos últimos dias, a tensão voltou a crescer. Autoridades americanas afirmam ter destruído embarcações iranianas que tentavam interferir na passagem de navios, enquanto Teerã nega perdas. Os confrontos ocorreram no contexto da operação “Projeto Liberdade”, lançada pelos EUA para escoltar navios comerciais e garantir a reabertura da rota.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que a iniciativa é uma solução temporária e destacou que o cessar-fogo segue em vigor, apesar das trocas de ataques. Segundo ele, o objetivo é garantir a livre navegação em águas internacionais.
Já o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, afirmou que o Irã realizou mais de dez ataques desde a trégua firmada em abril, embora sem ultrapassar o limite que levaria à retomada de uma guerra em larga escala.
A operação americana mobiliza cerca de 15 mil militares, além de destróieres, aeronaves e drones para proteger embarcações comerciais. Dois navios com bandeira dos EUA já teriam atravessado o estreito sob escolta.
O cenário levanta temores de uma escalada mais ampla no Oriente Médio. O Irã também foi acusado de lançar mísseis e drones contra alvos nos Emirados Árabes Unidos, além de ameaçar atacar forças americanas que entrem na região.
Apesar do aumento das tensões, negociações diplomáticas seguem em andamento. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que há progresso nas conversas, mas alertou para o risco de o conflito se intensificar novamente.
O presidente Donald Trump, por sua vez, indicou que considera insuficientes as propostas iranianas até o momento, aumentando a incerteza sobre um acordo duradouro.
Fonte: G1/CBS

