O Serviço Secreto dos Estados Unidos recomendou que o presidente Donald Trump utilizasse o antigo Air Force One ao deixar a Turquia nesta semana, em vez da nova aeronave doada pelo Catar, devido a preocupações relacionadas à segurança, segundo fontes ouvidas pela CBS News.
De acordo com a reportagem, a orientação foi feita por precaução diante da escalada do conflito entre Israel e Irã, e não por causa de uma ameaça específica contra o presidente.
Trump havia chegado a Ancara a bordo do novo Boeing 747-8, avaliado em cerca de US$ 400 milhões e doado pelo governo do Catar. No entanto, para o voo de saída após a cúpula da OTAN, o presidente embarcou no antigo Air Force One. Mais tarde, ao chegar ao Reino Unido, voltou a utilizar a aeronave mais nova.
Novo avião ainda teria limitações
Segundo autoridades americanas, o jato doado pelo Catar foi adaptado às pressas para entrar em operação e ainda não conta com todas as capacidades defensivas presentes na frota tradicional do Air Force One.
Os modelos antigos possuem sistemas avançados de comunicação segura e tecnologias militares capazes de dificultar ataques com mísseis, incluindo equipamentos para interferir na trajetória de projéteis e sistemas de proteção eletrônica.
Não está claro se o novo Boeing 747-8 já recebeu todos esses recursos. A Força Aérea americana se recusou a comentar as capacidades específicas da aeronave por questões de segurança.
Um ex-integrante do governo dos EUA ouvido pela CBS News afirmou que o tempo e os recursos disponíveis podem não ter sido suficientes para equipar completamente o avião com todos os sistemas exigidos para uma aeronave presidencial.
Casa Branca diz que avião é seguro
Em nota, o diretor de comunicação da Casa Branca, Steven Cheung, afirmou que o novo Air Force One é uma aeronave de última geração equipada com protocolos de segurança de alto nível para proteger o presidente e sua equipe.
A Força Aérea também declarou que o avião é "seguro, protegido e equipado com as tecnologias mais avançadas necessárias para cumprir a missão presidencial". Segundo a instituição, algumas funcionalidades menos utilizadas foram adiadas para priorizar requisitos considerados essenciais.
Guerra com o Irã influenciou decisão
Segundo as fontes, a recomendação para utilizar o antigo Air Force One levou em consideração a necessidade de garantir que Trump pudesse comandar eventuais operações militares durante o voo, caso a situação no Oriente Médio se agravasse.
O conflito entre Israel e Irã voltou a se intensificar nesta semana, e autoridades destacam que mísseis iranianos têm alcance suficiente para atingir a Turquia, onde o presidente participava da reunião da OTAN.
Durante a viagem, jornalistas que estavam a bordo do antigo Air Force One receberam uma orientação incomum para manter as janelas da aeronave fechadas durante parte do trajeto.
Trump voltou a afirmar que acredita ser um dos principais alvos do regime iraniano.
"Eles já perderam vários líderes. Eu também posso desaparecer. Sou o alvo número um deles", declarou o presidente durante entrevista coletiva após a cúpula da OTAN.
A aceitação da aeronave doada pelo Catar já havia gerado críticas de especialistas em ética e segurança nacional, que questionam a decisão de receber um presente de alto valor de um governo estrangeiro e os riscos envolvidos na adaptação do avião para uso presidencial.
Fonte: CBS

