O projeto do presidente Donald Trump para construir um Arco do Triunfo de aproximadamente 76 metros de altura (250 pés) em Washington, D.C., precisará passar por alterações estruturais antes de receber aprovação definitiva, informou nesta quinta-feira (10) a Comissão Nacional de Planejamento da Capital (NCPC).
Apesar das ressalvas, a comissão aprovou preliminarmente o projeto, condicionando a continuidade da proposta ao cumprimento de uma série de exigências técnicas e urbanísticas.
O monumento está previsto para ser construído na área conhecida como Memorial Circle, próximo ao Cemitério Nacional de Arlington e ao Memorial Lincoln. O projeto inclui um mezanino a cerca de 50 metros de altura (166 pés), um mirante elevado e uma estátua da Lady Liberty no topo da estrutura.
Comissão aponta conflito com legislação
Segundo a NCPC, o projeto viola a Lei de Altura dos Edifício, de 1910, que limita a altura das construções em Washington para preservar o horizonte da capital americana.
Embora o Departamento do Interior tenha defendido que essa legislação não se aplica a edifícios federais, a comissão afirmou que, historicamente, sempre considerou a norma válida também para obras do governo federal.
Como alternativa, os técnicos sugeriram reduzir a altura do mezanino e do mirante, transferindo essa diferença para a estátua no topo. Dessa forma, a estrutura continuaria com 76 metros de altura total, mas atenderia aos critérios urbanísticos adotados pela comissão.
Caso seja construída conforme planejado, a obra superaria em tamanho o Memorial Lincoln, que possui cerca de 30 metros de altura, e seria aproximadamente 9 metros mais alta que o Monumento à Revolução, na Cidade do México, atualmente considerado o maior arco monumental do mundo.
Projeto enfrenta críticas
A proposta também recebeu críticas durante a audiência pública da comissão, que ouviu moradores, veteranos de guerra, historiadores e representantes de entidades por mais de uma hora.
Entre as principais preocupações estão o impacto visual sobre o Cemitério Nacional de Arlington, um dos locais mais simbólicos da história militar americana, além de possíveis interferências em cerimônias, sepultamentos e visitas ao memorial.
A mãe de um militar morto em combate, Cynthia Morrison, afirmou que o espaço entre o Memorial Lincoln e Arlington possui importância histórica e memorial própria e não deveria ser ocupado por uma estrutura dessa dimensão.
Já o veterano da Guerra do Vietnã Michael Lemmon, que participa de uma ação judicial contra o projeto, defendeu uma análise mais ampla envolvendo moradores, veteranos e especialistas antes da construção.
Outras exigências
Além das mudanças estruturais, a comissão determinou que o projeto incorpore eventuais recomendações da Administração Federal de Aviação (FAA), que ainda realizará um estudo sobre possíveis impactos da obra nas rotas aéreas do Aeroporto Nacional Ronald Reagan, localizado nas proximidades.
A NCPC também solicitou revisões no plano de iluminação e na acessibilidade para pedestres, manifestando preocupação com a quantidade de postes previstos e com a intensidade da iluminação do monumento.
Ainda não há data para a análise final do projeto.
De acordo com documentos do Serviço Nacional de Parques (NPS), o governo pretende adotar um cronograma acelerado de construção, com obras de até 20 horas por dia durante dois anos.
O arco deverá ser construído em concreto com revestimento de granito, diferentemente de muitos dos monumentos históricos de Washington, tradicionalmente feitos em mármore ou calcário.
Fonte: CBS

