A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos deve votar na próxima semana um projeto de lei que torna o horário de verão permanente em grande parte do país, encerrando a prática de adiantar e atrasar os relógios duas vezes por ano.
O projeto, conhecido como Sunshine Protection Act, foi aprovado em maio pelo Comitê de Energia e Comércio da Câmara por 48 votos a 1. Em 2022, o texto já havia sido aprovado por unanimidade no Senado, mas não chegou a ser analisado pela Câmara e acabou não avançando.
A nova versão da proposta permite que os estados optem por não adotar o horário de verão permanente, caso assim decidam.
Mudança tem apoio de Trump
O presidente Donald Trump tem defendido o fim da mudança semestral dos relógios. Em maio, afirmou que chegou o momento de os americanos deixarem de se preocupar com o relógio e criticou os custos e transtornos provocados pela alteração anual dos horários.
O horário de verão é adotado em quase todos os Estados Unidos desde a década de 1960, com os relógios sendo adiantados em uma hora durante parte do ano para ampliar o período de luz natural no fim da tarde.
Argumentos a favor e contra
Os defensores da proposta afirmam que a mudança de horário provoca distúrbios do sono, aumenta o risco de acidentes de trânsito e de trabalho e afeta a saúde da população.
Além disso, argumentam que tardes mais claras durante o inverno podem estimular o comércio, o turismo e atividades ao ar livre.
O deputado republicano Vern Buchanan, da Flórida, autor do projeto desde 2018, afirma que a medida é especialmente popular em seu estado por ampliar o tempo disponível para esportes e atividades recreativas, como partidas de golfe.
Já o deputado democrata Frank Pallone, de Nova Jersey, afirmou que o horário de verão permanente poderá aumentar a segurança e impulsionar a indústria do turismo em seu estado.
Projeto ainda enfrenta resistência
Caso seja aprovado pela Câmara, o texto precisará passar novamente pelo Senado, onde enfrenta resistência de alguns parlamentares, entre eles o senador republicano Tom Cotton, do Arkansas.
Cotton argumenta que manter o horário de verão durante todo o ano faria com que o sol nascesse muito tarde durante o inverno em diversas regiões do país, obrigando crianças a irem para a escola ainda no escuro.
Os Estados Unidos já adotaram o horário de verão permanente durante a Segunda Guerra Mundial e voltaram a implementá-lo em 1974, durante a crise do petróleo, como forma de economizar energia. A medida, no entanto, enfrentou forte rejeição popular e foi revogada pelo Congresso poucos meses depois.

