Um imigrante em situação irregular condenado pelo assassinato de uma mulher em Michigan entrou com uma ação judicial contra o presidente Donald Trump, alegando ter sido exposto e humilhado após seu caso ser citado durante a campanha presidencial de 2024. Na ação, ele pede US$ 75 milhões em indenização, um pedido público de desculpas e até mesmo a concessão da cidadania americana.
Brandon Ortiz-Vite, de 27 anos, cumpre pena de 39 a 102 anos de prisão pela morte de Ruby Garcia, assassinada em março de 2024 na cidade de Grand Rapids, em Michigan.
Segundo as investigações, Garcia foi encontrada morta às margens de uma estrada com vários ferimentos provocados por disparos de arma de fogo. Ela mantinha um relacionamento amoroso com Ortiz-Vite, e os dois discutiam no momento do crime.
Na ação, escrita à mão e protocolada em um tribunal federal, Ortiz-Vite também incluiu como réu o vice-secretário de imprensa da Casa Branca, Steven Cheung.
Durante a campanha presidencial, Trump utilizou o caso de Ortiz-Vite para defender o endurecimento das políticas de imigração, classificando o condenado como "o problema da América". O republicano também exibiu a foto policial do acusado em propagandas de campanha para ilustrar sua crítica à imigração ilegal.
Na petição, Ortiz-Vite afirma que passou a ser alvo de zombarias dentro da prisão e perdeu sua dignidade após se tornar um símbolo do debate político sobre imigração.
"Minha identidade deixou de importar. O que passou a importar foi minha raça, meu status migratório e meu caso", escreveu o detento. "Assumi total responsabilidade pelos meus atos, mas usar meu caso para obter vantagem política foi injusto e humilhante."
Ele também afirmou que a ampla cobertura da imprensa transformou sua vida em um "pesadelo" e relatou sofrimento emocional após o crime ganhar repercussão nacional.
Apesar das alegações, especialistas avaliam que a ação tem poucas chances de prosperar. O advogado criminalista e ex-promotor federal Matthew Borgula afirmou que o processo provavelmente será rejeitado ainda na fase inicial.
Segundo ele, além de questões relacionadas à imunidade presidencial, as declarações feitas por Trump eram, em grande parte, baseadas em fatos públicos, e o constrangimento causado por declarações políticas não configura, por si só, violação constitucional.
"O processo provavelmente terminará antes mesmo de começar", afirmou Borgula.
Outro ponto destacado é que Ortiz-Vite se declarou culpado pelo homicídio em segundo grau e confessou o crime às autoridades após se entregar à polícia.
Antes do assassinato, Ortiz-Vite havia sido deportado dos Estados Unidos após uma prisão por dirigir sob efeito de álcool em 2020. Segundo registros, ele permaneceu anteriormente no país por meio do programa DACA (Ação Diferida para Chegadas na Infância), mas sua autorização expirou em 2019. Não está claro quando ele retornou ilegalmente aos Estados Unidos.
Até o momento, a Casa Branca não comentou oficialmente a ação judicial.
Fonte: FOX

