Uma bactéria conhecida popularmente como “comedora de carne”, que se desenvolve em águas marinhas quentes, já provocou a morte de pelo menos sete pessoas neste ano ao longo da Costa do Golfo dos Estados Unidos, segundo autoridades de saúde.
Duas mortes foram registradas na Flórida e cinco na Louisiana. Os casos foram provocados pela Vibrio vulnificus, bactéria encontrada em águas costeiras quentes que pode entrar no organismo por meio de ferimentos ou cortes na peleou pelo consumo de mariscos e outros frutos do mar crus ou malcozidos.
De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), aproximadamente uma em cada cinco pessoas infectadas pela bactéria morre.
Sobrevivente relata experiência
A norte-americana Summerlin Skipworth descobriu os riscos da bactéria depois de passar o feriado do Labor Day do ano passado em Orange Beach, no Alabama. Durante a viagem, ela machucou o pé ao bater contra pedras na praia.
“Parecia que ele estava quebrado”, contou.
Poucos dias depois, a dor aumentou drasticamente e ela precisou procurar um pronto-socorro.
“Parecia que alguém tinha jogado gasolina no meu pé e colocado fogo”, relatou.
Skipworth testou positivo para Vibrio vulnificus.
“Uma infecção nunca passou pela minha cabeça. Eu só sabia que estava com dor no pé”, disse.
Ela precisou passar por uma cirurgia de emergência, mas recebeu alta pouco tempo depois.
Segundo os médicos, a identificação precoce da infecção foi fundamental para sua recuperação.
“Eu só agradeço por estar aqui”, afirmou.
Bactéria avança para regiões mais ao norte
Pesquisadores já detectaram a presença da Vibrio vulnificus em águas costeiras de regiões tão ao norte quanto Nova York.
Em Maryland, mais de duas dezenas de casos foram confirmados neste ano, levando autoridades de saúde a alertarem a população sobre os riscos de nadar na Baía de Chesapeake.
Para o médico Peter Hotez, diretor da Escola Nacional de Medicina Tropical da Baylor College of Medicine, o fenômeno está relacionado ao aumento das temperaturas.
“Com cada ano que passa, por causa das mudanças climáticas, estamos vendo a bactéria chegar cada vez mais ao norte, em latitudes mais elevadas”, explicou.
Quem corre mais risco?
Pessoas com determinadas condições de saúde precisam ter atenção redobrada. Segundo o CDC, fazem parte do grupo de maior risco indivíduos com doenças hepáticas, câncer, diabetes, HIV ou talassemia, uma doença do sangue.
Alguns tratamentos também podem aumentar a vulnerabilidade à infecção, como terapias que suprimem o sistema imunológico e medicamentos que reduzem a acidez do estômago.
“Se você tem esses fatores de risco e possui uma ferida ou abrasão na pele, não deve nadar em águas salobras ao longo da Costa do Golfo e da costa atlântica”, alertou Hotez.
As águas salobras, formadas pela mistura de água doce e salgada, são encontradas principalmente em regiões onde rios encontram o oceano.
Quais são os sintomas?
De acordo com o CDC, uma infecção causada pela bactéria pode provocar febre, dor, vermelhidão, inchaço e alteração na coloração da pele, além de secreção ao redor do ferimento.
Também podem surgir calafrios, náuseas, cólicas abdominais e vômitos.
A médica infectologista Cassandra Black, ouvida pela CBS News Baltimore, recomenda que qualquer ferimento exposto a água que possa estar contaminada seja lavado imediatamente.
A principal recomendação é evitar o contato de feridas abertas com águas costeiras quentes e procurar atendimento médico rapidamente diante de sinais de infecção, especialmente em pessoas que fazem parte dos grupos de risco.
Fonte: CBS

