Os pais de uma jovem de 23 anos que morreu após ser deixada por um motorista da Uber em uma rodovia no sul da Califórnia receberam US$ 40 milhões em uma decisão de arbitragem contra a empresa e o condutor.
Emily Normandin-Parker, formada pela UCLA em 2022, voltava para casa de Uber com a amiga Luna Moore após uma noite de passeio. Segundo a decisão, Moore passou mal durante a viagem e o motorista Vu Tran parou em uma área triangular próxima a uma saída da State Route 73, no condado de Orange.
O árbitro Richard A. Stone, juiz aposentado, considerou o local “inseguro e ilegal” e afirmou que Tran poderia ter usado uma saída próxima e deixado as passageiras em um ponto seguro. Segundo a decisão, o motorista sabia que as duas estavam alcoolizadas e havia discutido com Moore sobre uma taxa de limpeza antes de expulsá-las do veículo.
Depois de ser deixada no local, Emily entrou na rodovia e foi atingida por outro veículo. Dados de GPS mostraram que Tran passou próximo ao corpo da jovem antes de sair pela próxima saída e entrar em contato com a Uber para solicitar uma cobrança pela limpeza.
Stone também considerou o depoimento do motorista pouco confiável e concluiu que ele demonstrou maior preocupação com seu carro do que com a segurança das passageiras.
Os advogados da família afirmaram ainda que a Uber já havia recebido reclamações anteriores sobre a condução de Tran. Entre os relatos estavam direção considerada imprudente e quase atropelamentos.
Ao final da arbitragem, que durou cinco dias, Normandin e Ken Parker receberam US$ 20 milhões cada. Uber e Tran foram considerados conjuntamente responsáveis pelo pagamento. A amiga de Emily recebeu separadamente US$ 300 mil. Não foram concedidos danos punitivos.
O árbitro também considerou a Uber responsável pela conduta negligente do motorista e rejeitou o argumento da empresa de que seria apenas uma plataforma tecnológica que conecta passageiros e motoristas.
Em comunicado, a Uber lamentou a morte de Emily, mas afirmou discordar da decisão e disse considerar que a empresa não deveria ser responsabilizada pelos acontecimentos. A companhia também afirmou que reforçou suas políticas de segurança, incluindo orientações para que motoristas evitem deixar passageiros em locais perigosos.
Os pais de Emily criaram a Emily Normandin-Parker Foundation, dedicada à segurança em serviços de transporte por aplicativo e à responsabilização de empresas. Segundo os advogados da família, o dinheiro recebido na arbitragem será destinado à fundação.
Fonte: ABC

