A Justiça dos Estados Unidos condenou o brasileiro Ygor Fokin Saviolli a 12 anos de prisão por sua participação em um esquema internacional de lavagem de dinheiro que movimentou mais de US$ 30 milhões, o equivalente a cerca de R$ 156 milhões, provenientes do tráfico de drogas e destinados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A sentença foi confirmada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ). O caso marca o desfecho judicial em território americano de uma investigação sobre uma rede transnacional que também é alvo de apurações da Polícia Federal (PF) no Brasil.
Saviolli foi preso pelo FBI em um aeroporto da Flórida, em janeiro deste ano. No Brasil, ele também teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal em São Paulo, durante os desdobramentos da Operação Exchange, deflagrada pela PF em julho. A ordem, porém, não pôde ser cumprida em território brasileiro porque ele já estava sob custódia das autoridades americanas.
A TV Globo informou que tenta localizar a defesa do brasileiro.
Papel de liderança no esquema
Segundo as investigações das autoridades americanas e da Polícia Federal, Saviolli exercia uma função de liderança operacional na organização. Ele era responsável pela coordenação logística e financeira da rede e pelo controle de rotas de distribuição de drogas.
De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, o grupo movimentava recursos ilícitos gerados em diferentes cidades americanas e utilizava criptomoedas e empresas de fachada para transferir o dinheiro de volta ao Brasil. A operação ajudava a abastecer financeiramente o PCC.
Investigação no Brasil envolve outros suspeitos
No Brasil, Saviolli é investigado no mesmo processo que apura a atuação do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, descrito pela Polícia Federal como um “doleiro moderno”. Ele foi alvo de sanções econômicas do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por supostamente utilizar mais de 70 empresas para lavar dinheiro do crime organizado.
Outros investigados também são apontados como integrantes da estrutura criminosa:
Amauri Henrique de Oliveira: está foragido e é apontado como responsável pela logística, pelo transporte e pelo recolhimento de dinheiro em espécie no Brasil.
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira: filha de Amauri e ex-secretária de Shimada, chegou a ser presa temporariamente pela PF e também foi sancionada pelos Estados Unidos. A Justiça Federal determinou sua soltura por falta de fatos novos.
Anderson Gonçalves Amaral, Diego Lameiro Diz e Romany Cutolo Bonente: apontados como operadores financeiros do grupo, tiveram as prisões preventivas decretadas no Brasil.
Operação Exchange prevê bloqueio bilionário de bens
A Operação Exchange investiga suspeitas de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo a PF, o esquema envolvia transferências ilícitas de criptoativos, movimentações de grandes valores em contas bancárias e transporte de dinheiro em espécie.
No âmbito da operação, a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens dos investigados em valores que podem chegar a R$ 10,4 bilhões.
Fonte: G1

