Um juiz federal dos Estados Unidos suspendeu temporariamente, na noite de quinta-feira (5), o início das obras do arco monumental proposto pelo presidente Donald Trump para celebrar os 250 anos da independência americana. A decisão atende, por enquanto, a um pedido apresentado por um grupo de veteranos da Guerra do Vietnã, pelo governo de Washington, D.C., e pelo estado da Virgínia.
A juíza Tanya Chutkan determinou que o governo não realize nenhuma atividade relacionada à construção pelo prazo de 14 dias, enquanto o processo judicial continua. Em uma decisão de 33 páginas, ela afirmou que os autores das ações têm boas chances de demonstrar que o governo federal não cumpriu os procedimentos legais exigidos antes de avançar com o projeto.
A magistrada também reconheceu que Washington e Virgínia provavelmente têm legitimidade para questionar a obra, citando possíveis prejuízos econômicos relacionados a problemas de trânsito na região.
A decisão foi anunciada pouco depois de a Comissão Nacional de Planejamento da Capital (NCPC, na sigla em inglês) aprovar, por 8 votos a 4, os planos finais do monumento. A reunião teve quase nove horas de manifestações públicas, com participação de parlamentares, veteranos, arquitetos e moradores da região.
O arco está previsto para ser construído no Memorial Circle, próximo ao rio Potomac, entre o Lincoln Memorial e o Cemitério Nacional de Arlington. A estrutura terá 166 pés de altura (cerca de 51 metros), com três esculturas douradas no topo: uma figura feminina alada ao centro e uma águia de cada lado. Com os ornamentos, a altura total chegará a 250 pés, aproximadamente 76 metros.
O projeto também prevê um mirante. A administração Trump estima que o monumento poderá receber entre 2 mil e 22,4 mil visitantes por dia. A construção deve levar cerca de três anos, mas o custo total e a origem dos recursos ainda não foram definidos.
Projeto enfrenta resistência
A proposta recebeu mais de 1.300 manifestações públicas, a maioria contrária, segundo a comissão. Durante a audiência, críticos afirmaram que o monumento pode prejudicar o significado histórico e simbólico da conexão entre o Lincoln Memorial e o Cemitério Nacional de Arlington.
O deputado democrata Jared Huffman, da Califórnia, classificou o projeto como ilegal e afirmou que a construção desrespeitaria os ideais americanos. Um veterano da Marinha, Jimi Shaughnessy, também criticou a possibilidade de transformar a área em um ponto turístico com ônibus, caminhões de comida e grande circulação de visitantes.
A principal contestação jurídica é que o governo estaria avançando com a obra sem autorização do Congresso e sem cumprir todas as etapas legais necessárias. Os veteranos Michael Lemmon e Shaun Byrnes afirmam que o tamanho e a finalidade do arco prejudicariam a experiência de quem visita os túmulos de militares no cemitério.
Washington e Virgínia, por sua vez, alegam que a construção poderá provocar congestionamentos, poluição, escoamento de águas pluviais no rio Potomac e dificuldades para os serviços de emergência.
A administração Trump defende o projeto como parte das comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos. O diretor-executivo da NCPC, Mark Paoletta, elogiou a visão do presidente e descreveu a estrutura como o maior arco já construído pela humanidade.
Trump também afirmou, em setembro, que o monumento seria uma espécie de complexo militar, com drones e munição para atiradores de elite. No entanto, os documentos apresentados à comissão de planejamento não mencionam esse uso. Em uma audiência anterior, advogados do Departamento de Justiça evitaram fornecer detalhes sobre possíveis recursos de segurança nacional.
Ainda não está claro quando as obras poderão começar. Antes da decisão judicial, o Departamento de Justiça havia informado que a construção poderia ter início já na quinta-feira. A nova ordem, porém, proíbe temporariamente escavações, demolições, movimentação de terra, instalação de serviços e qualquer outra atividade relacionada à construção.
Fonte: CBS

