Um estudo da Universidade da Flórida (UF) aponta que o lagarto exótico Peter’s rock agama, espécie não nativa comumente encontrada no sul do estado, pode representar um risco indireto à saúde pública ao influenciar a transmissão de doenças transmitidas por mosquitos.
Originário do leste da África, o lagarto de cabeça alaranjada foi introduzido na Flórida na década de 1970 por meio do comércio de animais de estimação, segundo a Comissão de Pesca e Vida Selvagem da Flórida (FWC). Após escaparem ou serem soltos por donos, os animais se estabeleceram principalmente no sul, mas já vêm sendo avistados em regiões mais ao norte do estado.
Pesquisadores do Instituto de Ciências Alimentares e Agrícolas da UF (IFAS) afirmam que, embora a espécie seja predadora e competidora de outros lagartos, como o anole-marrom, seu impacto ambiental direto parece limitado. O problema, segundo o professor Nathan Burkett-Cadena, do Laboratório de Entomologia Médica da UF/IFAS, está em como essa interação afeta o comportamento dos mosquitos.
“Quando um mosquito pica um lagarto, ele deixa de picar um pássaro ou um humano. Isso pode reduzir casos de doenças, já que aves são hospedeiras naturais de vírus perigosos”, explicou Burkett-Cadena. No entanto, ele ressalta que, ao reduzir a população de anoles, que são mais expostos às picadas, e ao se abrigar em fendas onde mosquitos não alcançam, o Peter’s rock agama pode acabar redirecionando os mosquitos a outros hospedeiros, como aves ou pessoas — o que aumentaria a chance de transmissão de vírus a humanos.
Os cientistas reforçam que mais pesquisas são necessárias para confirmar essa hipótese e compreender o real impacto da espécie sobre a ecologia e a saúde pública na Flórida.
Fonte: NBC

