O brasileiro Mario Cesar Dos-Santos, de 50 anos, foi preso no Condado de Marion, na Flórida, após ser alvo de investigação federal nos Estados Unidos. Ele é acusado de uso fraudulento de selos oficiais do governo americano, incluindo os da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA), do FBI e do Departamento de Segurança Interna (DHS), sem autorização.
Dos-Santos é apontado como CEO e vice-presidente da Chaplain Emergency Management Agency (CEMA), organização que se apresentava como vinculada ao governo dos EUA, embora seja uma entidade privada. Segundo as autoridades, a CEMA oferecia treinamentos, credenciais, distintivos e certificados com símbolos semelhantes aos de agências federais, apesar de não possuir qualquer vínculo oficial.
De acordo com o Departamento de Justiça, o uso indevido de selos e identificações governamentais configura crime federal e pode resultar em pena de até cinco anos de prisão. O caso é conduzido pelo Escritório do Procurador dos Estados Unidos no Distrito Médio da Flórida.
Prisão e custódia federal
Dos-Santos foi fichado pelo Departamento do Xerife do Condado de Marion no dia 19 de fevereiro de 2026 e encaminhado ao centro de detenção local. O registro oficial de custódia indica a anotação “HOLD FOR HOMELAND SECURITY”, o que significa que ele está à disposição do Departamento de Segurança Interna dos EUA (Homeland Security), responsável por investigações federais ligadas à imigração e segurança nacional.
Até o momento, as autoridades não divulgaram detalhes adicionais sobre as acusações que motivaram a ordem de prisão.
Atuação da CEMA e vínculo com líderes religiosos
A CEMA ganhou notoriedade principalmente entre líderes evangélicos brasileiros nos Estados Unidos e no Brasil. A organização oferecia cursos e credenciais que incluíam distintivos, uniformes e títulos como o de “Capelão Federal”.
Críticos afirmam que a entidade promovia a venda de “patentes” ou títulos com aparência oficial a civis, além de utilizar elementos visuais semelhantes aos de órgãos federais, o que poderia induzir pessoas ao erro. Muitos líderes religiosos exibiam as credenciais em igrejas e redes sociais, acreditando possuir algum tipo de reconhecimento ou autoridade institucional.
As autoridades ressaltam que as acusações ainda serão analisadas pela Justiça americana e que Dos-Santos tem direito à ampla defesa, conforme previsto na legislação dos Estados Unidos.

