Uma nova espécie invasora está chamando a atenção de especialistas e autoridades ambientais no sul da Flórida. Os monitores-do-Nilo, grandes lagartos originários da África, estão se espalhando pela região e podem representar uma ameaça ao ecossistema local.
Os répteis possuem coloração verde-oliva ou preta com listras amarelas na cabeça e na mandíbula, podendo atingir até dois metros de comprimento (cerca de sete pés) e pesar aproximadamente 9 quilos. Eles também possuem garras afiadas, língua bifurcada e uma cauda longa e musculosa, características que os tornam predadores eficientes.
Embora a maioria das pessoas nunca tenha visto um desses animais na natureza, especialistas afirmam que sua presença está crescendo.
Predadores difíceis de capturar
O caçador de cobras Mike Kimmel, conhecido como “Python Cowboy”, passou a incluir os monitores-do-Nilo em suas operações de controle de espécies invasoras.
Segundo ele, esses animais são extremamente ágeis e difíceis de capturar.
“Estamos enfrentando muitos desafios: pítons, iguanas, monitores-do-Nilo, peixes invasores e plantas invasoras”, disse.
Kimmel descreve os lagartos como verdadeiros contorcionistas, capazes de girar o corpo, chicotear com a cauda e morder para escapar.
“Já capturei alguns vivos usando armadilhas e cães. É como tentar segurar um tornado”, afirmou. “Eles nadam, escavam, sobem em árvores — são como velociraptores modernos.”
Ameaça à fauna nativa
Diferentemente das iguanas, que são principalmente herbívoras, os monitores-do-Nilo são carnívoros e se alimentam de animais nativos, incluindo aves, ovos e pequenos mamíferos.
O que mais preocupa pesquisadores é o fato de já existirem várias populações separadas desses lagartos, que parecem estar crescendo.
De acordo com a Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida (FWC), os animais são difíceis de detectar e capturar, o que torna difícil estimar quantos existem na região.
Atualmente, autoridades monitoram populações reprodutivas em quatro condados:
- Miami-Dade
- Broward
- Palm Beach
- Lee
Embora milhares de avistamentos tenham sido relatados, Kimmel afirma ter visto apenas cinco exemplares e capturado três desde 2020.
Origem da invasão
Pesquisadores acreditam que os monitores-do-Nilo chegaram à Flórida por meio de liberações intencionais ou fugas de animais mantidos em cativeiro, possivelmente desde 1981.
Segundo especialistas, muitos desses répteis eram mantidos como animais exóticos, mas acabavam sendo soltos na natureza quando cresciam demais ou se tornavam caros e difíceis de cuidar.
“Eles ficaram grandes demais, caros para alimentar ou difíceis de controlar, então algumas pessoas decidiram soltá-los pensando que estavam dando uma vida melhor ao animal”, explicou Kimmel. “Além disso, são excelentes escapistas.”
Diante do aumento das populações, o estado da Flórida incluiu o monitor-do-Nilo na lista de espécies proibidas em 2021.
Fonte: Local 10

