Duas adolescentes da Flórida, acusadas de planejar matar um colega de escola em um suposto “ritual de sangue”, permanecerão presas sem direito a fiança após promotores apresentarem imagens em que as jovens aparecem rindo dentro de uma viatura policial logo após a prisão.
As estudantes Isabelle Valdez, de 15 anos, e Lois Lippert, de 14, ambas da Lake Brantley High School, em Altamonte Springs, foram presas no fim de janeiro após a polícia receber uma denúncia anônima sobre o suposto plano de assassinato.
As duas foram acusadas como adultas e respondem por tentativa de homicídio premeditado, tentativa de homicídio qualificado e outras acusações criminais.
Segundo o relatório policial, a denúncia foi enviada em 22 de janeiro pelo aplicativo FortifyFL, que permite alertas anônimos sobre ameaças em escolas.
A pessoa que fez o alerta relatou que Valdez havia dito que planejava matar “alguém da escola” no dia seguinte.
No dia 23 de janeiro, uma busca na mochila de Valdez encontrou uma faca, que ela teria admitido que pretendia usar para cortar a garganta da vítima ou esfaqueá-la no estômago dentro de um banheiro da escola.
De acordo com os promotores, Valdez afirmou que o colega lembrava Adam Lanza, responsável pelo massacre da escola Sandy Hook, em 2012.
Segundo os investigadores, ela acreditava que, ao matar a vítima, criaria um “vínculo de sangue” com Lanza que o traria de volta à vida.
Após o crime, o plano incluía deixar flores no local e fumar um cigarro, segundo documentos apresentados no tribunal.
Promotores afirmam que Lippert teria ajudado na preparação do plano, fornecendo luvas, chocolate, flores e cigarros, além de ajudar a afiar a faca no banheiro da escola.
Ela também teria feito desenhos considerados “gráficos e perturbadores” da vítima, segundo as autoridades.
Durante a audiência sobre fiança, promotores exibiram imagens da câmera da viatura policial registradas no dia da prisão.
No vídeo, as adolescentes aparecem rindo, reclamando da pessoa que fez a denúncia e conversando sobre o plano.
Em um momento, Valdez comenta que pretendia se maquiar para a foto da ficha policial, mas não encontrou maquiagem.
“Eu ia fazer minha maquiagem hoje de manhã para a foto da prisão, mas não achei nada”, disse ela no vídeo.
As duas também conversam sobre quanto tempo de prisão poderiam receber e citam outros atiradores de escolas, incluindo os responsáveis pelo massacre de Columbine.
Em determinado momento, Lippert diz:
“Isso é uma experiência de união. Eu amo isso.”
Valdez também afirma:
“Eu não me sinto culpada pelas minhas ações.”
Os promotores usaram o vídeo como prova de que as adolescentes continuariam representando uma ameaça, o que levou o juiz a negar o pedido de fiança e manter as duas em detenção preventiva.
As duas adolescentes se declararam inocentes das acusações.
Segundo o Ministério Público, a decisão de processá-las como adultas foi tomada para permitir penas mais longas e maior controle judicial do que seria possível no sistema juvenil.
Após o caso, autoridades escolares do Seminole County Public Schools agradeceram à pessoa que fez a denúncia anônima.
“Somos profundamente gratos ao indivíduo cuja dica corajosa permitiu que as autoridades agissem rapidamente”, afirmou o distrito escolar em comunicado.

