O Legislativo da Flórida aprovou um novo mapa de distritos eleitorais para o Congresso, em uma medida que pode ampliar significativamente a vantagem do Partido Republicano no estado. A decisão faz parte de uma disputa nacional sobre redistritamento impulsionada antes das eleições de meio de mandato.
A votação ocorreu apenas dois dias após o governador Ron DeSantis apresentar sua proposta e no mesmo dia em que a Suprema Corte dos Estados Unidos enfraqueceu uma importante cláusula da Lei dos Direitos de Voto. A decisão judicial pode dificultar contestações de mapas eleitorais que, segundo críticos, reduzem a influência de eleitores não brancos.
Caso implementado, o novo desenho pode elevar a vantagem republicana na bancada da Flórida na Câmara dos Representantes para 24 cadeiras contra 4 democratas — uma ampliação em relação à divisão atual de 20 a 8. O ganho potencial de quatro cadeiras reflete movimentos semelhantes em outros estados, como a Virgínia, onde democratas também buscam vantagens por meio de mudanças nos distritos.
A proposta, no entanto, deve enfrentar ações judiciais. A Constituição da Flórida proíbe explicitamente o redesenho de distritos com fins partidários, embora aliados de DeSantis argumentem que decisões judiciais recentes reduziram o alcance dessas restrições.
Durante a sessão especial que aprovou o mapa, parlamentares republicanos deram poucas explicações detalhadas sobre as mudanças. A deputada estadual Jenna Persons-Mulicka, responsável pelo projeto, afirmou que o cenário jurídico está em constante evolução e demonstrou confiança na validade do novo mapa.
“Acredito que há uma probabilidade de que esse mapa seja mantido diante de questionamentos legais”, disse.
Já os democratas criticaram duramente a proposta, classificando-a como uma manobra partidária para favorecer interesses políticos nacionais e prejudicar eleitores que não se identificam com o Partido Republicano. A deputada Michele Rayner acusou os colegas republicanos de seguirem interesses da Casa Branca em um processo que, segundo ela, deveria ser conduzido de forma independente pelo estado.
Fonte: NBC

