O estado da Flórida concordou em pagar US$ 485 mil para uma bióloga que foi demitida após publicar uma mensagem crítica ao ativista conservador Charlie Kirk nas redes sociais depois da morte dele.
Brittney Brown, especialista em conservação de aves marinhas, trabalhava há cerca de sete anos na Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida (FWC). Ela foi demitida em setembro após repostar, em sua conta pessoal no Instagram, um meme afirmando que Kirk “não se importaria com crianças sendo mortas em salas de aula”.
Após a demissão, Brown entrou com uma ação judicial alegando violação da liberdade de expressão e afirmando que teve dificuldade para encontrar outro emprego, já que a agência estadual regula diretamente sua área de atuação científica.
O acordo foi assinado nesta quinta-feira e inclui:
* pagamento retroativo;
* indenização por danos;
* custos advocatícios.
Como parte do acerto, Brown concordou em não buscar um novo emprego na agência estadual.
O caso ganhou repercussão nacional após perfis conservadores nas redes sociais passarem a expor pessoas que fizeram comentários considerados ofensivos após a morte de Charlie Kirk, fundador da organização Turning Point USA e uma das principais figuras da direita conservadora americana.
Segundo o processo, o perfil “Libs of TikTok” publicou informações sobre Brown nas redes sociais, e ela acabou demitida no dia seguinte. A ação também afirma que a página já sabia da demissão poucos minutos após ela ocorrer, antes mesmo do anúncio público oficial.
A advogada da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) da Flórida, Carrie McNamara, classificou o acordo como “uma importante vitória” para a liberdade de expressão de funcionários públicos.
“A Primeira Emenda não desaparece quando alguém aceita um cargo público”, afirmou.
Durante o processo, a direção da agência alegou inicialmente ter recebido centenas de reclamações contra Brown. No entanto, documentos revelados pela Justiça mostraram que o número real foi de cerca de 50 denúncias.
O juiz federal Mark Walker chegou a aplicar sanções contra uma diretora da agência por exagerar os números e não corrigir as informações posteriormente.
Fonte: ABC

