A Flórida proibiu temporariamente a entrada de cães e gatos provenientes de abrigos e organizações de resgate localizados no Texas e no Novo México após a confirmação de casos da mosca-da-bicheira-do-novo-mundo (New World Screwworm), um parasita considerado uma séria ameaça para animais domésticos, rebanhos e a vida selvagem.
A medida foi anunciada pelo Departamento de Agricultura e Serviços ao Consumidor da Flórida (FDACS), que publicou uma regra emergencial impedindo a importação desses animais vindos de estados onde o parasita foi detectado.
“Vamos responder com base em fatos, não em medo. Mas continuaremos sendo o estado mais agressivo do país quando se trata de proteger nosso rebanho, nossos animais de estimação, a vida selvagem, as pessoas e a economia agrícola”, afirmou o comissário de Agricultura da Flórida, Wilton Simpson.
O que é a mosca-da-bicheira?
A mosca-da-bicheira-do-novo-mundo é um inseto parasita que deposita seus ovos em feridas ou aberturas naturais do corpo de animais de sangue quente. Após a eclosão, as larvas se alimentam de tecido vivo, podendo causar ferimentos graves e até a morte do animal se não houver tratamento rápido.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o parasita foi erradicado do país em 1966, com exceção de um surto registrado em 2017 nas Florida Keys.
Casos recentes preocupam autoridades
De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), sete casos da praga foram confirmados recentemente no país — seis no Texas e um no Novo México.
No Texas, os casos envolveram cinco bovinos e uma cabra. Já no Novo México, o parasita foi identificado em um cachorro no condado de Lea.
A confirmação da infecção em um cão foi um dos principais fatores que motivaram a Flórida a restringir a entrada de animais de resgate provenientes dessas regiões.
“Nós temos uma enorme indústria agropecuária e um clima extremamente favorável à proliferação da mosca-da-bicheira. Por isso queremos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para mantê-la longe da Flórida”, explicou o veterinário estadual Mike Short, diretor da Divisão de Indústria Animal do FDACS.
Impacto econômico pode ser significativo
Embora o parasita não represente risco para a segurança dos alimentos e não seja transmitido por carne, leite ou derivados, ele pode causar prejuízos severos à produção pecuária.
A preocupação é ainda maior porque o rebanho bovino dos Estados Unidos está atualmente em níveis historicamente baixos. Na Flórida, havia cerca de 1,5 milhão de cabeças de gado em 2022, e o setor de pecuária e laticínios movimentou mais de US$ 2 bilhões em vendas naquele ano.
Especialistas alertam que, quando não identificadas rapidamente, as infestações podem se tornar devastadoras.
“Se não forem tratadas rapidamente, as consequências podem ser bastante graves. Mas, quando detectadas cedo, as infestações são tratáveis”, afirmou Short.
Parasita avança pela América
Desde 2022, a mosca-da-bicheira vem avançando gradualmente para o norte, saindo da região da fronteira entre Panamá e Colômbia e atravessando países da América Central até chegar ao México.
Em agosto do ano passado, autoridades federais confirmaram o primeiro caso humano relacionado ao parasita nos Estados Unidos em décadas, envolvendo um viajante diagnosticado em Maryland.
As autoridades da Flórida continuam monitorando a situação e orientam moradores a reportarem imediatamente qualquer suspeita de infestação em animais domésticos, rebanhos ou espécies silvestres.
Fonte: NBC

