Um homem condenado por matar uma adolescente que havia rejeitado seus avanços amorosos e por ferir duas amigas dela foi executado nesta terça-feira, na primeira de três execuções previstas para este mês na Flórida.
Harold Gene Lucas, de 74 anos, foi declarado morto às 18h18 (horário local), após receber uma injeção letal composta por três drogas, na Florida State Prison, perto de Starke. Ele havia sido condenado pelo assassinato a tiros, em 1976, da adolescente de 16 anos Jill Piper, além de ferir a tiros os amigos dela, Richard Byrd Jr. e Terri Rice.
Lucas estava preso à maca com um acesso intravenoso no braço quando a cortina da câmara de execução se abriu, no horário previsto, às 18h. Questionado por um dos responsáveis pela prisão se tinha alguma última palavra, respondeu apenas "não".
Pouco depois, as drogas começaram a ser administradas. Lucas passou a respirar com dificuldade, teve engasgos e, em seguida, parou de se mover. Minutos depois, um responsável pela prisão o chacoalhou e chamou seu nome, mas não obteve resposta. Um profissional médico foi chamado e confirmou o óbito.
Lucas foi o 14º preso executado na Flórida neste ano. O governador republicano Ron DeSantis já assinou ordens de execução para outros dois casos, previstos para as próximas semanas. O estado já é responsável por mais da metade das cerca de duas dezenas de execuções realizadas nos Estados Unidos neste ano.
O condenado optou por não entrar com novos recursos de última hora. Segundo transcrições judiciais, ele declarou ao juiz: "Estou no corredor da morte há 50 anos e não tenho vontade de prolongar isso. Quanto antes acabar, melhor. Estou cansado."
Irmão da vítima fala em alívio
Lester Piper, irmão de Jill, afirmou que foi bom ver o processo judicial finalmente chegar ao fim. Segundo ele, não sabe se "encerramento" é a palavra certa, mas sente um grande alívio após acompanhar a execução.
Já Janice Rice, irmã de Terri — uma das sobreviventes do ataque contra Piper —, lamentou que a irmã não estivesse mais viva para testemunhar o momento. Segundo Janice, Terri sobreviveu àquela noite há 50 anos e conviveu com o trauma e a dor por 44 anos, até sua morte; ela desejava mais do que tudo estar presente para ver justiça feita em nome de Jill.
Histórico de confrontos com a vítima
Lucas tinha 24 anos quando foi preso, em agosto de 1976, por invasão de propriedade na casa da família Piper, em Bonita Springs, ao sul de Fort Myers, segundo registros judiciais. Ele conhecia a adolescente havia quatro anos, havia trabalhado para a família dela e os dois já haviam namorado, de acordo com os autos do processo.
Cerca de uma semana após essa prisão, Lucas e Piper tiveram dois confrontos separados, em um mesmo dia, segundo investigadores. Testemunhas afirmaram que ele chegou a ameaçar matá-la.
Temendo por sua segurança, Piper pediu que Byrd e Rice passassem a noite em sua casa. Lucas apareceu com um rifle e atirou várias vezes contra a adolescente enquanto ela implorava por sua vida, ferindo em seguida os dois amigos dela. Ele foi preso no dia seguinte.
Sentenciado à morte cinco vezes
Condenado por homicídio doloso em primeiro grau e duas tentativas de homicídio doloso, Lucas foi sentenciado à morte — e teve a pena refeita outras quatro vezes ao longo de décadas de recursos judiciais.
A primeira sentença de morte veio em 1977, por decisão unânime do júri (12 a 0). Posteriormente, a Suprema Corte da Flórida entendeu que o juiz do caso havia errado ao considerar a gravidade das tentativas de homicídio no momento de definir a pena pelo assassinato, o que levou a uma nova sentença de morte em 1980.
Como o juiz original já havia falecido quando um terceiro julgamento foi determinado, um novo magistrado assumiu o caso e voltou a condenar Lucas à morte em 1985 — decisão também revista pela Suprema Corte estadual, que determinou que um novo júri avaliasse a recomendação de pena, mantendo, porém, a condenação original. O novo júri recomendou a pena de morte por 11 votos a 1, resultando em uma quarta sentença, em 1987. Uma nova revisão da Suprema Corte da Flórida, por falta de clareza na sentença, levou a uma quinta condenação à morte, em 1990.
Flórida lidera execuções no país
Ao todo, 47 pessoas foram executadas nos Estados Unidos em 2025. A Flórida liderou o número naquele ano, com 19 execuções — recorde no estado desde o restabelecimento da pena de morte em 1976.
Em julho, a Flórida executou dois presos em um único dia, tornando-se o primeiro estado a fazer isso em quase uma década. Outras duas execuções já estão marcadas: a de Daniel Owen Conahan Jr., de 72 anos, em 10 de setembro, e a de Curtis Wilkie Beasley, de 77 anos, em 29 de setembro.
Conahan foi condenado por sequestrar e estrangular um homem que havia contratado para posar em fotos nu, e as autoridades suspeitam de seu envolvimento em homicídios semelhantes ocorridos na década de 1990 no sudoeste da Flórida. Beasley, por sua vez, foi condenado por matar uma mulher a golpes de martelo e roubar seu carro, em 1995.
Todas as execuções no estado são realizadas por injeção letal, com aplicação sucessiva de um sedativo, um paralisante e uma droga que interrompe os batimentos cardíacos, segundo o Departamento de Correções da Flórida.
Fonte: NBC

