Os casos de dengue adquirida localmente continuam aumentando na Flórida, e especialistas em saúde pública alertam que o número real de infecções pode ser ainda maior do que o registrado oficialmente.
Na semana encerrada em 19 de setembro, o estado contabilizava pelo menos 190 casos de dengue adquirida localmente, 38 a mais que na semana anterior. Hillsborough County, onde fica Tampa, concentra a maioria dos registros, com 170 casos. Também há casos em Miami-Dade, Orange, Palm Beach, Pasco e Pinellas.
A transmissão local de dengue é considerada incomum nos Estados Unidos continentais. Segundo especialistas ouvidos pela ABC News, o tamanho do atual surto na região de Tampa chama atenção.
Hillsborough, Pasco e Pinellas chegaram a declarar estado de emergência local na semana passada, permitindo o acesso a recursos emergenciais e a intensificação das ações de controle de mosquitos. Em Pinellas, equipes passaram a visitar residências e aplicar produtos em áreas com maior presença dos insetos.
Outro fator de preocupação é a possibilidade de subnotificação. A dengue pode provocar sintomas leves ou semelhantes aos de uma gripe, fazendo com que algumas pessoas não procurem atendimento médico ou não sejam testadas. O próprio CDC reconhece que casos leves tendem a ser mais subnotificados e que existe atraso entre a identificação e a comunicação dos registros.
Especialistas também destacam que uma mesma pessoa pode contrair dengue mais de uma vez. Infecções posteriores podem apresentar maior risco de formas graves, mas os casos leves continuam sendo mais difíceis de identificar.
O Departamento de Saúde da Flórida confirmou ainda a primeira morte por dengue registrada no estado neste ano, sem divulgar detalhes sobre o paciente.
O CDC informou que acompanha de perto a situação e classificou o número de casos na região de Tampa como sem precedentes. A agência destinou US$ 800 mil em recursos emergenciais para ajudar na resposta ao surto.
A principal forma de prevenção é evitar picadas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. O CDC recomenda o uso de repelentes registrados pela EPA, roupas que cubram a maior parte do corpo e a eliminação de água parada dentro e ao redor das residências.
Especialistas também avaliam que temperaturas mais altas, maior umidade e períodos de chuva podem favorecer a expansão geográfica do mosquito e aumentar as condições para a transmissão da doença.
Fonte: ABC

