A investigação sobre a queda de um avião em uma área residencial de Greenacres, em Palm Beach County, na Flórida, começou a apurar as possíveis causas do acidente que matou as nove pessoas a bordo. Especialistas ouvidos pela imprensa apontam que um problema relacionado ao acúmulo de gelo na aeronave pode ter contribuído para a queda, mas ainda não há uma conclusão oficial.
O Learjet 60, de matrícula N722BD, saiu de Austin, no Texas, com destino a North Eleuthera, nas Bahamas. O avião caiu por volta das 12h50 de domingo (1º), em uma rua de um bairro residencial, provocando uma explosão e espalhando destroços pela via e por uma comunidade de casas móveis.
O advogado especializado em aviação Zachary Gorwitz, de Miami, analisou a gravação da comunicação entre a piloto e o controle de tráfego aéreo. Segundo ele, o áudio revela uma descida extremamente rápida: cerca de 11 quilômetros em aproximadamente 60 segundos. Pouco antes do acidente, a piloto relatou problemas com formação de gelo e turbulência.
Gorwitz considera que o gelo pode ter afetado componentes importantes da aeronave, como o estabilizador horizontal, estrutura localizada na parte traseira e responsável por ajudar a manter o equilíbrio do avião durante o voo. O especialista observou que falhas de motor costumam provocar uma descida mais gradual, enquanto, nesse caso, não teria havido uma tentativa de planar.
Ele também afirmou que a velocidade e a força do impacto ajudam a explicar a grande destruição no local. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram uma intensa bola de fogo após a colisão. Segundo o advogado, a aeronave estaria em mergulho a mais de 960 km/h.
A fabricante Bombardier, proprietária da marca Learjet, declarou estar profundamente abalada com a tragédia e afirmou que vai colaborar com as autoridades. A empresa disse que não pode comentar as possíveis causas antes da conclusão da investigação.
O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) conduz a apuração, que pode levar um ano ou mais. O processo envolve fabricantes da aeronave, do motor e de outros componentes. Gorwitz também ressaltou que familiares das vítimas devem buscar orientação jurídica própria durante a investigação.
Identidade da piloto é alvo de especulações
Enquanto as autoridades não divulgam os nomes das nove vítimas, duas mulheres passaram a ser mencionadas nas redes sociais como possíveis ocupantes ou integrantes da tripulação. Uma delas é Alexandra Dudgeon, que teria publicado uma declaração negando qualquer envolvimento no acidente e pedindo que as pessoas parem de compartilhar seu perfil profissional.
Outro nome citado é o da brasileira Nathalia Filgueiras, piloto da Flórida que ganhou destaque em 2023, quando obteve a licença de piloto privado aos 17 anos, ainda durante o ensino médio. Na época, ela estudava na West Boca Raton High School, em Palm Beach County, e havia acumulado 88 horas de voo.
Segundo uma reportagem da CBS12 publicada em outubro de 2023, a formação de Nathalia foi financiada pela Aviation Academy do distrito escolar de Palm Beach County. Na ocasião, ela afirmou que pretendia seguir carreira como piloto de linha aérea ou de jatos particulares.
Até 2 de novembro, porém, as autoridades não haviam confirmado a identidade dos pilotos nem dos passageiros. A Administração Federal de Aviação (FAA) confirmou que havia nove pessoas a bordo.

