Terra pode ter terceiro dia consecutivo mais quente da história, dizem cientistas
A segunda-feira, 3 de julho de 2023, foi o dia mais quente da história já registrado numa escala global, de acordo com dados dos Centros Nacionais de Previsão Ambiental dos Estados Unidos, que são ligados à administração Oceânica e Atmosférica Nacional do país (NOAA).
Na data, a temperatura média global atingiu a marca de 17,01°C, ultrapassando o recorde anterior de agosto de 2016, que era de 16,92°C, enquanto ondas de calor castigavam diversas partes do Hemisfério Norte.
E esta quarta-feira, 5, pode se tornar o terceiro dia consecutivo em que a Terra marca extraoficialmente um recorde, o mais recente de uma série de extremos de mudança climática que alarmam, mas não surpreenda os cientistas.
O Serviço Nacional de Meteorologia emitiu um alerta de calor nesta quarta-feira para o sul da Flórida, do condado de Palm Beach até o condado de Miami-Dade. A recomendação valerá até às 19h.
As regiões sul dos Estados Unidos têm sofrido com uma intensa área de calor nas últimas semanas. Na China, uma onda persistente continua a afetar o país, com temperaturas acima dos 35°C. No norte da África, as temperaturas têm chegado próximo dos 50°C.
Os recordes de alta temperatura foram superados esta semana em Quebec e no Peru. Pequim relatou nove dias consecutivos na semana passada, quando a temperatura ultrapassou 35 graus Celsius (95 graus Fahrenheit). Cidades nos Estados Unidos, de Medford, no Oregon, a Tampa, na Flórida, têm atingido recordes históricos, disse Zack Taylor, meteorologista do Serviço Nacional de Meteorologia.
Quarta-feira pode trazer outro recorde não oficial, com o Climate Reanalyzer novamente prevendo calor recorde ou quase recorde. A previsão média da Antártica para quarta-feira é de 4,5 graus Celsius (8,1 graus Fahrenheit) mais quente do que a média de 1979-2000.
Nos Estados Unidos, alertas de calor estão em vigor esta semana para mais de 30 milhões de pessoas em locais como partes do oeste do Oregon, interior do norte da Califórnia, centro do Novo México, Texas, Flórida e litoral das Carolinas, de acordo com o National Weather Service Weather Prediction. Centro. Os alertas de calor excessivo continuam no sul do Arizona e na Califórnia.
Mudanças, El Niño e recorde na Antártica
Surpreendentemente, mesmo a Antártica, que está atualmente em seu período de inverno, registrou temperaturas anormalmente altas nesse período. A Base de Pesquisa Vernadsky, da Ucrânia, localizada nas Ilhas Argentinas do continente gelado, recentemente quebrou seu recorde de temperatura para o mês de julho, alcançando impressionantes 8,7°C.
"Esse não é um marco para se comemorar", declarou a cientista climática Friederike Otto, do Instituto Grantham para Mudanças Climáticas e Meio Ambiente do Imperial College London, no Reino Unido. "É uma sentença de morte para as pessoas e ecossistemas."
Os cientistas afirmam que as principais causas do fenômeno preocupante são as mudanças climáticas e os efeitos do El Niño, que já se estabeleceu e impacta o padrão do clima global.
"Infelizmente, isso é apenas o primeiro de uma série de novos recordes que serão estabelecidos neste ano, à medida que as emissões crescentes de dióxido de carbono e gases de efeito estufa, juntamente com um evento de El Niño em desenvolvimento, empurram as temperaturas para níveis cada vez mais altos", alertou Zeke Hausfather, cientista de pesquisa do Berkeley Earth.
Calor pelo mundo
No Vietnã, produtores de arroz passaram a trabalhar à noite durante os verões, cada vez mais quentes. Com temperaturas superiores a 37°C em julho, o Vietnã é um dos muitos países do sul e sudeste da Ásia que enfrentam temperaturas recordes, sobretudo, na região de Hanói e no norte.
No México, mais de 100 pessoas morreram entre 12 e 25 de junho devido ao calor extremo que atinge regiões do norte do país, informou o governo nesta quinta-feira (29).
Também no fim de junho, a Espanha viveu sua primeira onda de calor do verão e os termômetros ultrapassaram os 44 °C na Andaluzia (sul), segundo a Agência Estatal de Meteorologia (Aemet).
Fontes: Associated Press e G1.