Israel ataca capital do Líbano momentos depois do discurso de Netanyahu na ONU

Ele foi vaiado no início de sua fala, na semana de discursos dos 193 líderes de países da ONU.

Por Lara Barth

Israel faz novo ataque contra o Hezbollah no Líbano, após discurso de Natanyahu na ONU, em Nova York

Israel atacou o centro de Beirute, capital do Líbano, nesta sexta-feira (27) — no que foi o maior ataque israelense desde o início do conflito com o grupo extremista Hezbollah, segundo a agência Reuters. Uma nuvem de fumaça dominou o céu da capital.

Várias explosões atingiram o sul da cidade pouco mais de uma hora após o discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na Assembleia Geral da ONU.

A fala do premiê de Israel, atualmente em guera na Faixa de Gaza e no Líbano, era uma das mais esperadas da Assembleia Geral, em que líderes dos 193 países da ONU fazem discursos. Quando ele foi chamado na sessão, dezenas de membros de delegações abandonaram o plenário, e houve aplausos e vaias. O presidente da sessão teve de pedir silêncio. Sem mencionar a proposta feita pelos Estados Unidos, seu principal aliado, sobre um cessar-fogo no conflito contra o Hezbollah, alegou que está lutando também pelo Ocidente.

Israel vem bombardeando regiões do Líbano há uma semana, em uma nova página do conflito no Oriente Médio que já deixou mais de 700 mortos. O governo israelense afirma que o alvo é o Hezbollah, grupo extremista financiado pelo Irã que nasceu no Líbano com o intuito de lutar contra Israel.

A escalada da troca de ataques entre os dois lados — que já acontecia de forma constante desde o início da guerra na Faixa de Gaza, há quase um ano — ocorreu após explosões em série de pagers e walkie-talkies de membros do Hezbollah, que acusam Israel pelo ataque.

A semana de bombardeios provocou também um êxodo sem precedentes no Líbano desde a guerra de 2006. Nesta sexta-feira, a ACNUR, a agência da ONU para refugiados, afirmou que mais de 30 mil pessoas de diferentes regiões do Líbano fugiram para a vizinha Síria nas últimas 72 horas.

Outros milhares de pessoas também tentam deixar o país, mas dezenas de companhias aéreas cancelaram operações nos aeroportos libaneses. O Itamaraty disse esta semana que está consultando brasileiros que queiram deixar o Líbano para estudar a repatriação ao Brasil — há 21 mil cidadãos brasileiros morando no Líbano, a maior comunidade brasileira no Oriente Médio.

Dois adolescentes brasileiros, de 15 e 16 anos, já morreram nos ataques.

Fonte: G1