Trump assina memorando que cria tarifas recíprocas e cita etanol brasileiro
Economistas se preocupam com a formação de uma guerra comercial, que poderia pressionar a inflação mundo afora.
Em um movimento que pode intensificar as tensões comerciais globais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um memorando nesta quinta-feira (13) impondo tarifas recíprocas a países que cobram taxas sobre produtos americanos. A decisão tem como objetivo equilibrar as relações comerciais e busca corrigir distorções, especialmente com países que impõem altas tarifas sobre produtos dos EUA.
Entre os exemplos citados, a Casa Branca destaca o etanol brasileiro, já que o Brasil cobra uma tarifa de 18% sobre as exportações de etanol dos EUA, enquanto os EUA cobram apenas 2,5%. Trump argumenta que essa assimetria precisa ser corrigida para criar um sistema comercial mais justo.
Em coletiva de imprensa, o presidente declarou: "Os outros países podem reduzir ou eliminar suas tarifas. Queremos um sistema nivelado". Embora o memorando não estabeleça tarifas específicas, ele orienta o governo a aplicar taxas de maneira recíproca a países que dificultam o comércio com os EUA.
O "Plano Justo e Recíproco", como é chamado, visa corrigir desequilíbrios no comércio internacional. Além do Brasil, Trump cita a União Europeia, que impõe tarifas de 10% sobre carros importados, enquanto os EUA cobram apenas 2,5%. Embora as tarifas não entrem em vigor imediatamente, o governo americano ainda analisa as relações comerciais com diversos países.
A medida de Trump segue uma série de ações protecionistas, como a imposição de tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio, anunciada no início da semana, e o aumento de tarifas sobre produtos chineses. Economistas temem que essas ações possam desencadear uma guerra comercial de grandes proporções, afetando a inflação global. Com as tarifas aumentando o preço dos insumos, a inflação nos EUA já voltou a 3% em janeiro, complicando a meta do Federal Reserve de controlá-la em 2%.
Além disso, as altas tarifas podem afetar o Brasil e outros mercados emergentes. A valorização do dólar pode levar o Banco Central brasileiro a aumentar a Selic, o que afetaria a economia local. O Brasil também pode enfrentar uma desaceleração econômica se Trump decidir aumentar as tarifas sobre a China, já que o país asiático é um dos principais parceiros comerciais.
Fonte: G1