A tortura contra crianças, mulheres e homens palestinos é sistemática, generalizada e se tornou doutrina de Estado em Israel, afirma a relatora especial das Nações Unidas (ONU) para os direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese.
Em relatório publicado nesta semana, Albanese sustenta que a prática tem apoio dos altos escalões do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, além da própria sociedade civil, sendo parte de uma dominação colonial e uma arma do genocídio em curso contra o povo palestino.
Além do aparato estatal, profissionais da saúde, autoridades religiosas, jornalistas, acadêmicos, figuras públicas e outros segmentos da sociedade contribuíram para a retórica, o consentimento e as condições operacionais que sustentam essas violações, diz o relatório.
Apesar de destacar que a tortura sempre foi praticada contra os palestinos em Israel, ela teria ganho mais recentemente uma escala sem precedentes e uma legitimação social que perpetua a impunidade.
O que antes funcionava nas sombras agora é praticado abertamente: um regime de humilhação, dor e degradação organizadas, sancionado nos mais altos escalões políticos, completa a relatora da ONU para os territórios palestinos.

