O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, votou contra uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que reconhece o tráfico transatlântico de africanos escravizados como um dos crimes mais graves contra a humanidade. A proposta foi aprovada por ampla maioria, com 123 votos favoráveis, enquanto apenas EUA, Israel e Argentina se posicionaram contra.
Durante a votação, o vice-embaixador americano na ONU, Dan Negrea, afirmou que o país não reconhece o direito à reparação por injustiças que não eram consideradas ilegais à época em que ocorreram. Ele também classificou a proposta como “cínica”, argumentando que poderia justificar a redistribuição de recursos atuais para países ou grupos que, segundo ele, não têm ligação direta com as vítimas históricas.
Outro ponto central da crítica americana foi a rejeição à ideia de classificar crimes contra a humanidade em diferentes níveis de gravidade. Segundo o representante, criar uma hierarquia entre esses crimes poderia minimizar o sofrimento de vítimas de outras atrocidades ao longo da história.
A posição foi acompanhada por Israel, que apresentou argumentos semelhantes. Já a Argentina também votou contra, embora sem detalhar suas justificativas. Outros países, como Reino Unido, Portugal e Espanha, optaram pela abstenção.
A resolução, proposta por Gana, não é vinculante, mas busca ampliar o reconhecimento internacional dos impactos duradouros da escravidão, incluindo desigualdades raciais, e incentivar debates sobre medidas como pedidos de desculpas, devolução de artefatos históricos e possíveis compensações financeiras.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu ações mais contundentes para enfrentar as consequências históricas da escravidão. Especialistas consideram a medida um avanço importante no reconhecimento global do tema, embora o debate sobre reparações continue gerando divisões entre países.
Fonte: G1

