Calor extremo pode tornar população mais sedentária e causar até 700 mil mortes por ano
Estudo aponta que altas temperaturas reduzem atividade física e aumentam riscos à saúde em escala global
O aumento das temperaturas globais pode levar milhões de pessoas a adotarem um estilo de vida mais sedentário, resultando em até 700 mil mortes adicionais por ano até 2050, segundo um estudo publicado na revista The Lancet Global Health.
A pesquisa, conduzida por universidades da América Latina, analisou dados de 156 países entre 2000 e 2022, combinando informações de saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) com registros climáticos. Os resultados indicam que, a cada mês com temperaturas médias acima de 28 °C, a taxa de inatividade física cresce cerca de 1,4 ponto percentual no mundo.
Atualmente, apenas cerca de 65% da população global pratica atividade física suficiente, e o sedentarismo já está associado a aproximadamente 5% das mortes no mundo. Com o agravamento do calor, esse cenário tende a piorar significativamente.
O impacto será mais severo em países tropicais e de baixa e média renda, como regiões do Caribe e da África Subsaariana, onde o calor extremo dificulta a prática de exercícios ao ar livre e há menos infraestrutura, como espaços climatizados. Em países como a Somália, a taxa de mortalidade relacionada pode chegar a 70 mortes por 100 mil habitantes até 2050.
O estudo também aponta que mulheres e idosos são mais vulneráveis aos efeitos do calor, já que têm maior dificuldade para regular a temperatura corporal.
Mesmo países ricos não estarão imunes. Nos Estados Unidos, por exemplo, a previsão é de aumento nas mortes associadas à inatividade provocada pelo calor, embora em menor escala, graças ao maior acesso a ar-condicionado e espaços fechados.
Especialistas alertam que, embora a climatização ajude a reduzir riscos imediatos, ela também pode incentivar hábitos sedentários. Por isso, defendem políticas públicas que incentivem a atividade física em ambientes seguros, além de adaptações urbanas e campanhas de conscientização.
Ainda assim, os pesquisadores destacam que a principal solução passa pela redução das emissões de gases de efeito estufa. Segundo o estudo, cenários com maior aquecimento global podem elevar significativamente tanto o número de mortes quanto os prejuízos econômicos associados.
Fonte: ABC
