Hamas anuncia saída do governo de Gaza e abre espaço para novo comitê administrativo
Grupo afirma que deixará administração civil da Faixa de Gaza enquanto negociações sobre desarmamento e reconstrução seguem como principais desafios do cessar-fogo
O grupo Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) a dissolução do órgão responsável pela administração civil da Faixa de Gaza, encerrando quase duas décadas de controle direto sobre o território. A decisão abre caminho para que um comitê tecnocrático palestino assuma a gestão administrativa da região, em meio aos esforços para consolidar o cessar-fogo e iniciar a reconstrução.
O chefe do governo ligado ao Hamas, Mohammed al-Farra, apresentou sua renúncia, segundo informou Ismail Thawabta, diretor-geral do escritório de mídia do grupo. De acordo com ele, apenas funcionários técnicos permanecerão em seus cargos temporariamente para evitar um colapso nos serviços públicos.
O Hamas afirmou que a medida busca reduzir o sofrimento da população diante da guerra, do bloqueio imposto à região, da demora na reconstrução e da permanência de tropas israelenses em partes de Gaza. O grupo também pediu rapidez na implementação do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), criado durante as negociações de paz conduzidas no Cairo.
Segundo o chamado Conselho de Paz, iniciativa apoiada pelos Estados Unidos durante as negociações do cessar-fogo, o novo comitê deverá assumir toda a administração civil e concentrar o controle sobre as armas em circulação no território. O princípio estabelecido pelo órgão é de "uma única autoridade, uma única lei e uma única arma".
Apesar da mudança administrativa, especialistas avaliam que a decisão tem efeito principalmente simbólico. O cientista político Mkhaimar Abusada afirmou que o principal obstáculo continua sendo o desarmamento do Hamas, condição considerada essencial para o avanço da segunda fase do acordo de cessar-fogo.
Enquanto isso, os confrontos continuam. Autoridades de saúde em Gaza informaram que cinco pessoas morreram e pelo menos 18 ficaram feridas em novos ataques israelenses registrados nesta segunda-feira. Segundo dados divulgados pelas autoridades locais, mais de 73 mil pessoas morreram e cerca de 173 mil ficaram feridas desde o início da guerra, em outubro de 2023.
Israel mantém a posição de que o Hamas não pode voltar a governar Gaza e também resiste, por enquanto, à transferência do controle para a Autoridade Palestina. As duas partes continuam trocando acusações de violações do acordo de cessar-fogo.
Fonte: G1