O governo do Irã negou nesta segunda-feira (3) que esteja negociando diretamente com os Estados Unidos, contrariando declarações feitas pelo presidente Donald Trump, que afirmou no domingo (2) que uma nova rodada de conversas entre os dois países estaria prestes a começar.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, o diálogo em andamento ocorre apenas com Omã e tem como objetivo discutir questões relacionadas ao tráfego de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio mundial de petróleo.
"Atualmente não estamos negociando com os Estados Unidos. Nossas negociações são com Omã para garantir a passagem pelo Estreito de Ormuz", afirmou Baghaei durante entrevista coletiva.
Trump falou em retomada das conversas
No domingo, Trump declarou que os Estados Unidos e o Irã iniciariam uma nova rodada de negociações e afirmou que decidiu suspender uma ofensiva militar de grandes proporções após pedidos de Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e do próprio Irã.
A mídia estatal iraniana, no entanto, negou que Teerã tenha solicitado aos Estados Unidos que deixassem de realizar novos ataques.
Apesar de descartar negociações diretas com Washington, o governo iraniano classificou como "construtivas" as conversas com Omã, mas não indicou qualquer mudança em sua posição sobre o controle do Estreito de Ormuz.
O porta-voz da chancelaria também afirmou que a situação na região permanecerá inalterada enquanto, segundo o Irã, persistirem restrições impostas pelos Estados Unidos aos portos iranianos.
Petróleo registra forte queda
A perspectiva de uma possível redução das tensões no Oriente Médio provocou queda nos preços internacionais do petróleo.
O barril do Brent, referência global, recuou cerca de 4,7%, sendo negociado a US$ 83,77. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, caiu aproximadamente 5,2%, para US$ 80,26 o barril.
Analistas avaliam que o mercado reagiu ao alívio diante da possibilidade de evitar uma nova escalada do conflito. No entanto, especialistas afirmam que uma queda mais duradoura nos preços dependerá de um acordo que restabeleça a normalidade da navegação pelo Estreito de Ormuz.
Parlamentar iraniano cita esforços diplomáticos
Embora o governo iraniano negue negociações diretas com os Estados Unidos, integrantes do Parlamento afirmaram que mediadores internacionais trabalham para reativar um memorando de entendimento firmado entre os dois países em junho.
Segundo o porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Hassan Qashqavi, há uma "troca de pontos de vista" sobre questões envolvendo o Estreito de Ormuz, considerado estratégico para o transporte global de petróleo e gás.
Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que Estados Unidos e Irã tenham retomado negociações diretas.
Fonte: O Globo

