O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incentivou líderes da América Latina a utilizarem suas forças militares para combater cartéis de drogas e organizações criminosas transnacionais, durante um encontro realizado neste sábado (8) em seu clube de golfe em Doral, na região de Miami.
O evento, chamado pela Casa Branca de “Cúpula Escudo das Américas”, reuniu representantes de diversos países da região e teve como foco reforçar a cooperação de segurança no hemisfério ocidental.
Durante o discurso, Trump afirmou que os cartéis representam uma ameaça inaceitável à segurança da região e defendeu uma resposta militar conjunta.
“O único jeito de derrotar esses inimigos é liberando o poder de nossas forças armadas. Temos que usar nossos militares. Vocês também precisam usar seus militares”, declarou o presidente.
Ele comparou a proposta à coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos contra o grupo Estado Islâmico no Oriente Médio, dizendo que uma estratégia semelhante poderia ser usada para “erradicar os cartéis”.
Foco no hemisfério ocidental
A reunião ocorreu em meio a uma série de crises internacionais enfrentadas pelo governo americano, incluindo a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada uma semana antes.
Apesar disso, Trump afirmou que seu governo pretende manter o foco na América Latina, reforçando a influência dos EUA na região e tentando conter a expansão econômica da China no continente.
Entre os países representados na reunião estavam Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trinidad e Tobago.
Já Brasil, México e Colômbia, três dos principais países da região, não participaram do encontro.
Críticas e tensões regionais
O presidente também voltou a criticar o México, afirmando que o país seria o “epicentro da violência dos cartéis” no hemisfério.
“O problema é que os cartéis estão comandando o México. Não podemos permitir isso”, disse Trump.
Por outro lado, a iniciativa recebeu críticas do governo de Cuba. O presidente cubano Miguel Díaz-Canel classificou o encontro como “reacionário e neocolonial” e acusou Washington de pressionar governos da região a aceitarem o uso da força militar americana para resolver problemas internos.
Operações e nova estratégia regional
Durante a cúpula, autoridades também destacaram operações conjuntas recentes entre os Estados Unidos e o Equador contra grupos do crime organizado na Amazônia equatoriana.
O presidente do Equador, Daniel Noboa, afirmou que a cooperação militar com Washington “é apenas o começo” da ofensiva contra redes de tráfico.
A estratégia faz parte da visão de política externa de Trump para a região, baseada no princípio “America First”, que busca ampliar o uso de recursos militares e de inteligência dos EUA no hemisfério.
Mudanças e outros temas
Trump também afirmou que seu governo pretende voltar a pressionar Cuba após o fim da guerra com o Irã, sugerindo que “grandes mudanças” podem ocorrer na ilha.
Após participar do encontro, o presidente seguiu para Delaware, onde participou da cerimônia de transferência dos corpos de seis militares americanos mortos em um ataque de drone no Kuwait, ligado ao conflito com o Irã.
Fonte: NBC

