PF retira credenciais de agente dos EUA em Brasília após medida semelhante contra delegado brasileiro
Diretor-geral Andrei Rodrigues cita princípio da reciprocidade e nega expulsões; caso envolve tensão após prisão de Alexandre Ramagem
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, anunciou que retirou as credenciais de um agente do governo dos Estados Unidos que atuava em cooperação com a PF em Brasília. A decisão foi tomada com base no princípio da reciprocidade, após autoridades americanas adotarem medida semelhante contra um delegado brasileiro que trabalhava em Miami.
Em entrevista à GloboNews, Rodrigues afirmou que a decisão foi tomada “com pesar” e explicou que o agente norte-americano, ligado à área de imigração, deixará de ter acesso às instalações da PF e aos bancos de dados compartilhados entre os dois países. Até então, ele atuava dentro de uma unidade da corporação na capital federal.
A medida ocorre após o governo dos Estados Unidos determinar, na segunda-feira (20), que o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho deixasse o país. Ele estava lotado em Miami e participou de ações relacionadas à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
Rodrigues negou que tenha havido expulsão do delegado brasileiro. Segundo ele, o retorno ao Brasil foi uma decisão da própria PF, com o objetivo de esclarecer se há algum processo formal aberto por autoridades americanas. “Não há nenhuma expulsão de funcionário brasileiro”, afirmou.
O diretor também ressaltou que o agente americano não será expulso do Brasil, destacando que essa não é atribuição da Polícia Federal. Segundo ele, a questão está sendo tratada no âmbito diplomático, com o Itamaraty conduzindo contatos e reuniões para buscar esclarecimentos formais.
Andrei Rodrigues lamentou o episódio e destacou que a cooperação entre Brasil e Estados Unidos na área de segurança é ampla, com mais de dez acordos em vigor. Ele reforçou que a atuação do delegado brasileiro nos EUA seguiu os protocolos estabelecidos nesses acordos.
Marcelo Ivo de Carvalho, descrito como um “servidor exemplar”, atuava no compartilhamento de informações com o serviço de imigração americano (ICE). Durante sua missão, ele ajudou a localizar 49 foragidos da Justiça brasileira nos Estados Unidos e colaborou em 56 processos de deportação.
A decisão americana foi acompanhada de críticas em redes sociais, onde o governo dos EUA afirmou que uma autoridade brasileira teria tentado contornar processos formais de extradição, alegando motivação política — referência ao caso envolvendo Ramagem.
Fonte: G1